Era uma associação com tanto de inevitável como de saudosista. Ao mesmo tempo que o Sporting estava a fazer um autêntico desfile de oportunidades flagrantes perdidas na primeira parte frente ao Moreirense, o antigo avançado Viktor Gyökeres recebia em pleno Théâtre du Châtelet, em Paris, o prémio Gerd Müller para Melhor Marcador do Ano. “Antes de mais, quero agradecer por estar aqui e, claro, a toda a gente no Sporting que esteve comigo na última temporada. Tivemos uma grande temporada. Ganhámos o Campeonato e a Taça. Criámos memórias incríveis juntos. Estar aqui é um sentimento fantástico. Sempre estive esfomeado por golos, desde miúdo. Gostava de agradecer à minha família e aos meus amigos por estarem sempre do meu lado, em todos os momentos menos positivos na minha carreira. Agora comecei uma nova etapa na minha carreira no Arsenal e espero também construir boas memórias no clube”, apontou o sueco.

Trincão, um Balakov da era moderna que sai de becos para encontrar os melhores caminhos (a crónica do Sporting-Moreirense)

Depois, e mais uma vez, houve vida para lá do número 9 que marcou as últimas duas épocas em Alvalade. Luis Suárez voltou aos golos de grande penalidade, Pedro Gonçalves subiu à liderança da lista dos melhores marcadores com os mesmos cinco golos de Clayton, Fotis Ioannidis marcou pela primeira vez desde que veio para os leões (à terceira partida). Apesar de todas as dificuldades, o Sporting não só conseguiu somar mais três pontos para chegar ao segundo lugar do Campeonato (à condição, tendo em conta o Benfica-Rio Ave esta terça-feira) como travou uma série de quatro encontros consecutivos sempre a sofrer, mantendo-se também como o melhor marcador da prova com 18 golos, numa média de três por jogo.

Contas feitas, o Sporting prolongou aquela que até agora tem sido uma “regra” desde que Rui Borges assumiu o comando, marcando em todos os 25 encontros realizados para o Campeonato numa série que teve início após o nulo dos leões em Barcelos, frente ao Gil Vicente, em dezembro (que levou à saída de João Pereira). No entanto, foi por aí que Rui Borges analisou a partida, falando neste caso das oportunidades falhadas.

“Foi um jogo onde a equipa esteve muito bem. Não posso apontar nada à equipa, numa grande exibição do guarda-redes do Moreirense. É uma equipa que em bloco médio/baixo não perde o equilíbrio. Sabíamos que ia ser difícil. Depois, 4.66 em Golos Esperados, acho que nunca tinha visto… Demonstra bem o nosso caudal ofensivo. Não perdemos o equilíbrio, insistindo, insistindo, até que aconteceu. Os primeiros 35 minutos foram fantásticos na reação à perda, não deixámos o Moreirense sair do meio-campo defensivo. Trincão? É por isso que estão num grande clube e são diferenciados. Já falei do Trincão, do Pote, do Alisson, que é um desequilibrador nato. Acaba por decidir com dois penáltis, com mérito e qualidade individual, mas também com o coletivo. A equipa sente-se bem, sente-se feliz e com vontade de ganhar”, apontou o técnico.

“Marcadores de penáltis? A decisão é da equipa e do grupo. Está bem explícita a hierarquia para bater penáltis. O líder está lá dentro, sabe o que faz e eu estarei sempre com o meu líder. Mexidas? Para a Liga dos Campeões mudámos três na linha defensiva, a equipa tem de ter todos minimamente com 100% de frescura, vamos precisar de todos não só para o Campeonato como para a Liga dos Campeões”, acrescentou Rui Borges à SportTV, antes de abordar o primeiro golo de Ioannidis: “É normal que os avançado fiquem ansiosos para fazerem golos. Fez com todo o mérito, com a sua qualidade. O seu caráter e personalidade encaixa bem na equipa e no grupo. Estou muito feliz por poder contar com dois grandes avançados”.

Também Francisco Trincão elogiou o jogo coletivo dos leões, relativizando mais um triunfo em que terminou como o MVP. “Prémio? Isso não interessa muito nesse momento, o importante é que ganhámos o jogo e bem. Fomos justos vencedores. Foi um jogo difícil mas fico feliz pela vitória. O objetivo é sempre este: criar oportunidades. Sabíamos que era uma questão de tempo se criarmos esta quantidade de oportunidades. Fizemos por isso e acho que acabou por ser justo. Tudo começa a ficar mais oleado no ataque. Mesmo quem entra… Toda a gente está mais entrosada e também temos mais tempo para fazermos as coisas. Cada vez acredito que vá ser melhor e só temos de tirar proveito disso. Tento ajudar a equipa, seja com golos ou assistências. Se não conseguir, é dar o meu máximo, seja em todos os processos de jogo tanto ofensiva como defensivamente. Não marquei mas o que interessa é a vitória justa da equipa”, referiu à SportTV.