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Trincão, um Balakov da era moderna que sai de becos para encontrar os melhores caminhos (a crónica do Sporting-Moreirense)

Este artigo tem mais de 1 ano

Sporting desperdiçou inúmeras oportunidades entre 25 remates, André Ferreira fez o jogo de uma vida e foi preciso o pé esquerdo de Trincão assumir em ações individuais pelo meio para tudo mudar (3-0).

Luis Suárez e Pedro Gonçalves marcaram de grande penalidade após duas jogadas de génio de Francisco Trincão antes de Ioannidis fechar triunfo frente ao Moreirense
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▲Luis Suárez e Pedro Gonçalves marcaram de grande penalidade após duas jogadas de génio de Francisco Trincão antes de Ioannidis fechar triunfo frente ao Moreirense

PATRICIA DE MELO MOREIRA

▲Luis Suárez e Pedro Gonçalves marcaram de grande penalidade após duas jogadas de génio de Francisco Trincão antes de Ioannidis fechar triunfo frente ao Moreirense

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Os números da vitória não deixaram margem para dúvidas, a forma como a equipa entrou na segunda parte tendo pela frente um adversário mais frágil deixou um leve alerta que três golos em menos de cinco minutos acabaram por “esconder”. Depois do triunfo em Famalicão, um dos terrenos mais complicados da Primeira Liga, o Sporting teve uma estreia a golear na Liga dos Campeões diante do Kairat Almaty mas nem tudo o que ficou foram notas positivas. Rui Borges sabia-o e era por isso que, entre a promessa de que iria continuar a fazer alguma rotação na equipa por questões físicas (ou para evitar maiores riscos de lesões musculares), a receção ao Moreirense, já depois de nova vitória do FC Porto e do arranque a ganhar de José Mourinho no Benfica, ganhava um peso redobrado até pelo bom arranque da equipa de Moreira de Cónegos na Liga.

Sporting-Moreirense. Leões procuram voltar ao segundo lugar frente à revelação da Liga

“Espero um Moreirense ao nível do que tem estado. Conheço bem o clube, sei o que é trabalhar naquela estrutura, uma equipa com jogadores há três anos junto. É um conjunto bem organizado, motivado, que está no top 5 de criação de oportunidades do Campeonato e isso dita bem a sua qualidade. Mas temos de estar focados no que podemos dar ao jogo em casa e queremos ser fortes”, destacara o técnico dos verde e brancos sobre um adversário com quatro vitórias em cinco encontros do Campeonato e com um treinador, Vasco Botelho da Costa, que, depois de ter subido o Alverca, agarrou da melhor forma a equipa minhota para continuar a despertar o interesse dos seguidores mais próximos do futebol nacional também à boleia de um vídeo que circulou nas redes sociais onde protestava no Estádio da Luz com as opções de… Jorge Jesus.

O Moreirense chegava com oito golos marcados mas apenas quatro sofridos, numa expressão também da boa organização coletiva que tinha vindo a apresentar em campo, mas nem por isso Rui Borges mostrava uma preocupação extra, preferindo olhar para dentro e para a melhor maneira de ir gerindo a parte física sem colocar em causa um triunfo que recolocaria o Sporting na segunda posição a três pontos do FC Porto. “A pressão aqui é diária, nem olho para os adversários. Não estou nesta fase focado na classificação, estamos numa fase inicial. Queremos ganhar sempre mas podemos não conseguir porque do outro lado também estão equipas competentes. Estou focado no papel do Sporting, o caminho é longo…”, tinha destacado, sem abrir o jogo sobre as possíveis opções iniciais que não contariam com Rui Silva, Diomande e Geny Catamo.

“Olhamos para tudo e vamos tentando perceber. Às vezes quem está fora questiona as opções mas tudo tem uma conjugação de muitos fatores. Com o Kairat tirámos o Pote [Pedro Gonçalves] e o Morten [Hjulmand], depois o Luis [Suárez] e o Maxi [Araújo]… É uma gestão para termos a malta capacitada para dar o seu máximo porque eles não são máquinas e vamos sempre atuando em prol do que podemos, tentando não expor o jogador a lesões. Tudo tem o seu porquê e estamos ligados em prol do melhor a cada jogo. Tentamos gerir dentro do possível o que podemos controlar ao máximo para não expor os jogadores a lesões”, frisara.

Essa gestão acabou por passar apenas pelo setor defensivo, com a troca de laterais (entraram Vagiannidis e Ricardo Mangas para os lugares de Fresneda e Maxi Araújo) e o regresso de Zeno Debast ao eixo defensivo entre a aposta no habitual quarteto ofensivo. Com mais ou menos pernas, o pulmão nunca faltou, a cabeça na hora da finalização não esteve muitas vezes no sítio entre o mérito do estreante André Ferreira com um jogo fabuloso na baliza do Moreirense mas a inspiração de Francisco Trincão pelo meio voltou a fazer a diferença, conseguindo duas grandes penalidades após jogadas individuais que conseguiram finalmente furar a bem organizada estrutura defensiva dos minhotos antes de Ioannidis marcar também pela primeira vez pelos leões. A nova identidade tática de Rui Borges não perdeu um extremo mas ganhou uma espécie de número 10 dos tempos modernos que em alguns movimentos voltou a fazer recordar o búlgaro Krassimir Balakov pela facilidade de desequilibrar e logo assistir ou rematar. Sempre de pé esquerdo, claro.

Ficha de jogo

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Sporting-Moreirense, 3-0

6.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)

Sporting: João Virgínia; Vagiannidis, Debast, Gonçalo Inácio, Ricardo Mangas (Maxi Araújo, 54′); Hjulmand, Kochorashvili (Morita, 54′); Geovany Quenda, Francisco Trincão (Alisson, 90′), Pedro Gonçalves (João Simões, 90′) e Luis Suárez (Ioannidis, 79′)

Suplentes não utilizados: Diego Callai, Matheus Reis, Iván Fresneda e Eduardo Quaresma

Treinador: Rui Borges

Moreirense: André Ferreira; Dinis Pinto (Afonso Assis, 85′), Gilberto Batista, Marcelo, Francisco Domingues (Álvaro Navarro, 85′); Stjepanovic, Vasco Sousa (Benny, 85′); Cedric, Alan, Kiko Bondoso (Landerson, 60′) e Gustavo Schettine (Yan Lincoln, 67′)

Suplentes não utilizados: Caio Secco, Joel Romero, Maracás e Jimi Gower

Treinador: Vasco Botelho da Costa

Golos: Luis Suárez (76′, g.p.), Pedro Gonçalves (90′, g.p.) e Ioannidis (90+4′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ricardo Mangas (45+1′) e Marcelo (89′)

O Sporting teve um início que até acabou por surpreender todos aqueles que esperavam um encontro mais dividido, pressionando o Moreirense com zonas altas que asfixiaram os cónegos e deixando a ameaça inicial a abrir, com Luis Suárez a receber um passe longo nas costas dos centrais contrários para tentar fazer depois o chapéu travado pelo estreante André Ferreira (2′). Os visitantes conseguiram depois ter mais bola mas eram os leões, a jogarem para a baliza Sul logo na primeira parte, que encontravam formas de desconstruir toda a estrutura defensiva montada para Alvalade, primeiro através de uma transição rápida com assistência de Francisco Trincão para o remate de Suárez de novo defendido (8′) e depois numa jogada que começou com um passe longo de Debast e acabou com Gilberto Batista a cortar a bola em cima da linha tirando de novo o golo ao avançado colombiano que tinha sido servido na área por Pedro Gonçalves (12′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-Moreirense em vídeo]

Vasco Botelho da Costa tentava fazer acertos sem bola, a largura que queria dar na defesa acabou por não evitar alguns espaços ao meio que eram aproveitados pelos criativos do Sporting e o primeiro golo parecia só uma questão de tempo… apesar de ter andado a ser adiado: Vagiannidis atirou cruzado na área para defesa de André Ferreira com o pé (19′), Francisco Trincão arriscou o remate em jeito de fora da área que passou a rasar o poste (22′), Pedro Gonçalves teve uma tentativa de chapéu a 20 metros que não saiu longe da trave (23′), Luis Suárez beneficiou da oportunidade mais flagrante aproveitando um erro da defensiva contrária para passar de novo por André Ferreira e rematar de pé esquerdo ao poste (24′). Apesar de todas as (muitas) dificuldades, o Moreirense aguentava o nulo sabendo que o relógio iria sempre jogar a seu favor.

O intervalo chegaria mesmo sem golos em Alvalade mas com ânimos mais exaltados, havendo mesmo uma pequena confusão a caminho dos balneários enquanto Hjulmand ia protestando com o árbitro pelos minutos de compensação na primeira parte. Pedro Gonçalves ainda teve um remate de fora da área que sofreu um pequeno desvio antes de nova intervenção de André Ferreira (32′), Geovany Quenda tentou marcar com um remate de moinho na área de pé esquerdo que passou ao lado (39′), Luis Suárez voltou a atirar com perigo mas ao lado na sequência de uma jogada individual (44′). O domínio completo dos leões continuava sem ter expressão no resultado, com o Moreirense sempre à espera dos espaços para sair em transições rápidas.

Mais uma vez, à semelhança do que tem acontecido desde o início do Campeonato, os cónegos tiveram uma entrada mais conseguida na partida no reatamento, conseguindo manter o Sporting longe do último terço em posse para criar oportunidades e tendo outra qualidade com bola mesmo sem chegar também à baliza de João Virgínia. Já com alguns tímidos assobios a surgirem em Alvalade perante essa incapacidade de criar perigo e manter a mesma intensidade, Rui Borges lançou em campo Maxi Araújo e Morita e os leões tiveram um estímulo extra para assentarem ideias, encontrarem outros espaços, recuperarem o mesmo controlo do jogo com bola e voltarem a criar perigo junto da baliza de André Ferreira, com Luis Suárez a assistir Maxi Araújo de calcanhar para tirar dois adversários do caminho mas rematar de pé direito ao lado (61′).

Havia sempre algo que faltava. Se não fosse a desmarcação de rutura, era o último passe. Se não fosse o último passe, era a finalização. Se não fosse a finalização, era André Ferreira, que teve 20 minutos quase em trabalho no arranque do segundo tempo mas brilhou depois ao mais alto nível em mais um daqueles remates em arco de Pedro Gonçalves desviado para canto (69′). O guarda-redes dos minhotos teve uma noite para mais tarde recordar em Alvalade, tirando por mais duas ocasiões golos feitos a Pedro Gonçalves na área em jogadas que não costumam ser desperdiçadas (82′ e 87′), mas nada conseguiu fazer quando Francisco Trincão teve uma pequena nesga de espaço para desequilibrar no 1×1 (que chegou a ser 1×3) e ser carregado duas vezes na área para os golos de penálti de Luis Suárez (76′) e Pedro Gonçalves (89′). A vitória estava confirmada mas teria uma expressão maior nos descontos, quando o recém entrado Alisson voltou a ter um arranque explosivo pela esquerda e cruzou para o desvio na pequena área de Ioannidis (90+4′).

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