As Nações Unidas, em 80 anos de existência, ainda não conseguiram encontrar uma mulher para assumir o cargo de secretária-geral, apesar das “quatro mil milhões de candidatas”, lembrou a nova presidente da Assembleia-Geral da organização, Annalena Baerbock.

“Em 80 anos, esta organização nunca escolheu uma mulher para este cargo. Poder-se-á perguntar como é que, de quatro mil milhões de potenciais candidatas, não foi possível encontrar uma única?”, questionou, referindo-se ao número de mulheres no mundo, na sua intervenção na abertura do debate de alto nível da Assembleia-Geral da ONU.

Baerbock é apenas uma das cinco mulheres entre as 80 pessoas que ocuparam a presidência da Assembleia-Geral da ONU.

A posse da ex-ministra dos Negócios Estrangeiros alemã como presidente ocorre num momento de intenso debate sobre a necessidade de uma mulher assumir pela primeira vez o cargo de secretária-geral da ONU quando António Guterres concluir o seu mandato, no final de 2026.

No entanto, nenhum nome obteve ainda o consenso necessário entre os países.

Baerbock reconheceu que a eleição de um presidente da Assembleia-Geral é uma decisão que cabe aos Estados-membros — que devem indicar os candidatos —, mas enfatizou que este processo não se trata apenas de uma representação igualitária, mas também da credibilidade da própria ONU.

Porém, as declarações da ex-ministra alemã contrastam com a realidade na sede da ONU, onde a maioria dos chefes de delegação que discursarão durante a semana de alto nível são homens, como tem acontecido nos últimos anos. Os números revelam que mulheres chefes de delegação representaram pouco mais de 10% dos oradores.