O secretário-geral da ONU posicionou-se esta sexta-feira contra a pena de morte ao ser questionado sobre o caso de Christa Pike, uma condenada norte-americana que está em estado crítico após duas tentativas falhadas de execução por injeção letal no Tennessee.

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Numa conferência de imprensa em Nova Iorque, o porta-voz do secretário-geral da ONU recordou que esta tem sido a posição de António Guterres e das Nações Unidas sobre o tema.

“O nosso comentário é que a pena de morte não deveria existir. Os Estados não devem usar a pena de morte. Temos sido muito claros sobre isso, seja em qualquer país onde ainda exista“, disse o porta-voz, Stéphane Dujarric.

“Não deveríamos ter pena de morte, e o secretário-geral posiciona-se firmemente contra ela”, sublinhou ainda.

Christa Pike foi condenada à pena de morte em 1996 pelo homicídio de Colleen Slemmer, cometido quando ambas tinham 18 e 19 anos, respetivamente.

Embora outras duas pessoas tenham participado no crime, Pike foi a única que foi condenada à pena capital.

Na quarta-feira, a mulher, atualmente com 50 anos, sobreviveu a duas doses de injeção letal, após o que foi levada, embora não imediatamente, para um hospital. Cerca de 24 horas depois do ocorrido, a mulher continuava viva, mas em estado crítico.

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“Não temos informações precisas sobre o seu prognóstico nem sobre o seu estado de saúde, apenas sabemos que está viva”, indicou o advogado de Pike, Randy Spivey, em declarações à imprensa.

A defesa da norte-americana indicou ainda que não conseguiu visitar a mulher de 50 anos no hospital, onde recebe cuidados médicos vitais.

“O que aconteceu [na quarta-feira à noite] persegue-me”, disse Spivey, que presenciou a tentativa de execução de Pike e indicou ainda que foram usadas pelo menos sete agulhas para administrar a injeção letal ao longo de uma hora, e que pelo menos uma destas parecia dobrada quando a retiraram do seu braço.

“O que aconteceu (…) não foi apenas ineficiente, foi cruel e tortuoso”, afirmou, recordando que Pike teve vários problemas ao longo da sua vida relacionados com o sistema venoso.

Segundo a defesa, essa era uma das razões pelas quais Pike rejeitava este método de execução e tinha pedido um diferente.

Em concreto, tinha solicitado um pelotão de fuzilamento composto apenas por mulheres, mas no estado norte-americano do Tennessee isso não é uma opção.

“Não era medo de morrer. Era medo de uma morte prolongada, dolorosa e traumática, e foi isso que aconteceu, só que sem chegar a morrer”, acrescentou Spivey.

Após o incidente, o governador do estado, Bill Lee, suspendeu as execuções para este ano e pediu uma investigação, com a qual concorda a Procuradoria-Geral.

Também o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu às autoridades do Tennessee que renunciem a novas tentativas de executar Christa Pike.

Numa publicação nas redes sociais, Turk considerou que o caso em questão demonstra a necessidade de abolir a pena de morte e apelou às autoridades para que “não realizem qualquer nova tentativa de execução”.