A Federação Russa está a utilizar cada vez mais a violência sexual como arma na sua agressão militar contra a Ucrânia, com o objetivo de “torturar, intimidar e coagir”, acusou esta sexta-feira o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos.
“A guerra na Ucrânia é uma catástrofe em termos de direitos humanos que se agrava e intensifica semana após semana, causando um sofrimento inimaginável aos civis e ameaçando um desastre ainda maior em toda a região“, declarou Volker Türk ao fazer uma atualização da situação na Ucrânia perante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, Suíça.
O responsável da ONU apontou que, “num contexto de brutalidade incessante”, o mais recente relatório do alto-comissariado “revelou níveis chocantes de violência sexual contra civis e prisioneiros de guerra“.
“A Federação Russa está a utilizar estes atos abomináveis para torturar, intimidar e coagir indivíduos e comunidades. Dos mais de 1.000 casos documentados pelo meu gabinete, 89 por cento foram atribuídos às autoridades russas e 11 por cento à Ucrânia”, apontou.
Türk especificou que “a maioria das vítimas de violência sexual eram homens, particularmente em locais de detenção, mas mulheres e crianças também foram afetadas, sobretudo no território ocupado da Ucrânia“.
“Esta é apenas uma das terríveis manifestações da crueldade que passou a caracterizar esta guerra. A par da paz, deve haver responsabilização”, sustentou.
Assinalando que “a invasão em grande escala desencadeada pela Federação Russa está a matar e a ferir centenas de pessoas todas as semanas, enquanto as linhas da frente mal se movem”, o responsável da ONU revelou que, nos primeiros oito meses do ano, foram registados “15.280 civis mortos e feridos — em média, mais de 400 por semana, durante 34 semanas”, o que representa “um aumento de 55 por cento em relação ao mesmo período de 2025″.
O alto-comissário advertiu que a Ucrânia se tornou “um laboratório para a guerra com drones” e defendeu serem necessárias “medidas urgentes a nível internacional para fazer face à carnificina provocada por estes sistemas de armas em todo o mundo”.
“Os drones de curto alcance matam e ferem civis, impedem a entrega de ajuda humanitária e restringem a liberdade de circulação. Os drones de longo alcance estão constantemente a alargar o seu alcance e a ameaça que representam para os civis”, disse.
A concluir, Volker Türk deixou mensagens à Rússia, à Ucrânia e à comunidade internacional.
“Aos russos, digo: esta guerra não serve a ninguém, a não ser a uma elite poderosa, especialmente àqueles que têm laços financeiros com as forças armadas. A sua continuação só levará a mais famílias destruídas e a maior miséria para as pessoas comuns”, começou por dizer.
“Aos ucranianos, digo: estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para apoiar a paz com justiça e responsabilização”, prosseguiu.
“À comunidade internacional, e em particular aos Estados com influência, digo: por favor, tomem medidas urgentes para promover uma paz negociada agora, antes que esta tragédia se agrave ainda mais”, concluiu.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]