Acompanhe o nosso liveblog sobre o conflito israelo-palestiniano
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou esta terça-feira, perante o Conselho de Segurança, que a possibilidade de dois Estados no Médio Oriente – um israelita e um palestiniano – está a “deteriorar-se perigosamente”.
“A viabilidade da solução de dois Estados está a deteriorar-se perigosamente, atingindo agora o seu nível mais crítico em mais de uma geração”, disse Guterres numa reunião do Conselho sobre a situação no Médio Oriente, que coincidiu com o primeiro dia do debate de alto nível da ONU.
Mesmo assim, Guterres voltou a pedir esta terça-feira uma Palestina “independente, soberana, democrática e viável“, coexistindo com Israel, assim como um aumento da segurança baseado nas fronteiras anteriores a 1967.
O antigo primeiro-ministro português defendeu que “o dia seguinte” ao conflito seja regido pelo direito internacional e rejeite qualquer fórmula que enfraqueça esse objetivo.
Ainda de acordo com o secretário-geral, a “expansão implacável” dos colonatos de Israel e as anexações, assim como o deslocamento forçado e “ciclos de violência mortal”, resultaram num padrão “horrível” de ocupação.
Além de tudo isso, a Autoridade Palestiniana enfrenta pressões fiscais, políticas e institucionais que prejudicam a sua capacidade de funcionar, acrescentou.
“A colonização deve cessar. O Tribunal Internacional de Justiça deve intervir, inclusive no caso de Israel, para ordenar a cessação imediata das atividades de colonização“, acrescentou.
Também enfatizou que o conflito israelo-palestiniano está a passar por um dos “episódios mais sombrios da história”.
No sábado, o Governo do Hamas na Faixa de Gaza estimou que cerca de 900 mil pessoas permanecem na capital e que outras 270 mil deixaram a cidade, um número que entra em conflito direto com a estimativa do Exército israelita de que conseguiu deslocar 480 mil pessoas.
Além de Guterres, ministros das Relações Exteriores como Cho Hyun, da Coreia do Sul, falaram na reunião desta terça-feira do Conselho de Segurança, denunciando a operação terrestre lançada por Israel para tomar o controlo da Cidade de Gaza.
Toda essa situação, argumentou, eleva o risco de agravar ainda mais “uma crise humanitária já catastrófica”.
Hyun afirmou que o seu país está comprometido com o reconhecimento do Estado palestiniano no momento “apropriado” para a consolidação dos dois Estados.
Nos últimos dias, países como Portugal, França, Bélgica, Reino Unido e Canadá reconheceram o Estado palestiniano, elevando para 157 o número de nações que já reconhecem este Estado árabe.