Tudo estava a correr bem, tudo começou a ser colocado em causa. Depois de um arranque de época positivo com um único deslize caseiro frente ao AVS, o Sp. Braga empatou em Vila do Conde com o Rio Ave num jogo em que esteve sempre atrás e começou aí uma série de três encontros consecutivos sem vitórias que teve pelo meio uma derrota na Pedreira frente ao Gil Vicente. No final, houve lenços brancos. Pela primeira vez esta temporada a equipa não marcara, pela terceira vez esta temporada acabaria por perder pontos no dérbi frente ao V. Guimarães com apenas seis jornadas decorridas – e com isso ficou a nove pontos do líder FC Porto e a seis do segundo lugar do Sporting. O espanhol Carlos Vicens, uma escolha pessoal do presidente António Salvador para suceder a Carlos Carvalhal no comando técnico, fez aumentar de novo a esperança nos minhotos mas o balão parecia começar a esvaziar mesmo tendo apenas um desaire em… 12 encontros.

Vitória de Guimarães e Sporting de Braga empatam no dérbi minhoto

Era neste contexto que chegava a estreia na Liga Europa, com uma receção ao Feyenoord que foi afastado na terceira pré-eliminatória da Champions pelo Fenerbahçe então de José Mourinho. Os neerlandeses não eram propriamente o adversário ideal para curar feridas mas podiam servir de rampa de lançamento para uma inversão no atual trajeto de uma época que não tem nada “perdido” e que conta com uma série de lesões de elementos importantes que atrasaram também o trabalho de consolidação da ideia de jogo de Carlos Vicens. “Temos de estar preparados para os desafios que vão surgir, pois é uma equipa que sabe o que fazer em vários momentos. A equipa tem de estar unida e superar momentos em que não tenhamos a bola, transmitir energia para as bancadas, para que os adeptos também nos ajudem. Pretendemos entrar com ambição e confiança para começar bem esta competição”, tinha pedido o técnico espanhol antes da partida.

“O Feyenoord é um rival que começou a temporada muito bem, que não nos vai fazer a vida fácil, também com uma história grande na Europa. Porém, estamos focados no processo. O espírito competitivo e a união que demonstrámos no jogo de domingo [com o Gil Vicente] foi bom e é sobre isso que temos de crescer. Utilizar essa energia, essa ambição e essa vontade de fazer as coisas bem para fazermos uma boa exibição. Os jogadores continuam a melhorar e estou convencido de que a equipa vai estar forte, unida e sem dar uma bola como perdida. É assim que vamos encarar o jogo. É uma competição diferente que nos leva a estar com mais energia e vontade de começar da melhor maneira. Sei que este tipo de competição é difícil, os jogos são desafiantes, a qualidade é muito boa mas estamos mais focados em nós”, acrescentara Vicens.

Sporting de Braga dá pontapé de saída na fase de liga da Liga Europa

O antigo adjunto de Pep Guardiola no Manchester City sabia o que deixara de correr bem. Falou de alguns processos com e sem bola, falou na questão da finalização, falou na necessidade de jogar mais no campo do adversário, falou no ponto sempre importante da confiança. Falou de muito, sabendo que isso resumiria a um “tudo ou nada” de ganhar e quebrar a atual série sem triunfos ou empatar ou perder prolongando essa fase que tem ensombrado as últimas semanas. Numa partida muito “típica” de Liga Europa, mesmo tendo momentos em que viu o Feyenoord ser melhor, conseguiu. E, mais uma vez, foi Fran Navarro que entrou para resolver na única oportunidade que teve, concluindo de primeira na área após cruzamento de Leonardo Lelo da esquerda fazendo recordar os golos plenos de oportunismo que van Persie marcava de pé esquerdo.

Apesar da boa identificação dos problemas, o Sp. Braga demorou a encontrar soluções e a primeira meia hora do encontro foi quase um prolongamento da fase menos conseguida que a equipa atravessava. Não se pode dizer que o Feyenoord tenha sido muito superior ou que tenha beneficiado de muitas oportunidades (Gijs Smal, num remate cruzado após corte incompleto de Gustaf Lagerbielke, teve o único lance de maior perigo mas para defesa segura de Hornicek) mas conseguia ser uma equipa mais junta, com melhor perceção dos momentos diferentes de jogo e mais confiante. Robbie van Persie, antigo avançado que comanda agora o conjunto de Roterdão, assistia de forma mais calma ao que se passava, Carlos Vicens aproveitava todas as pequenas paragens para falar com os seus jogadores e corrigir posicionamentos sobretudo com bola.

Só na sequência de bola parada chegou aquele lance que os minhotos precisavam, com João Moutinho a ter uma insistência ao segundo poste num lance onde a bola pareceu passar a linha na sequência de um livre lateral para o cabeceamento de Amine El Ouazzani que obrigou Wellenreuther a uma defesa fantástica a evitar o golo (32′). Pouco depois, num lance em que Leonardo Lelo conseguiu finalmente soltar-se pelo lado esquerdo, Ricardo Horta chegou mais cedo para desviar um cruzamento na área mas o remate em rosca não chegou à baliza (37′). A formação portuguesa começava a crescer, Zalazar e Moutinho estavam mais em jogo, Vicens continuava a tentar melhorar a forma de sair em construção a partir de trás para capitalizar essa fase mas o intervalo chegou sem golos, com mais posse dos visitantes mas mais perigo dos visitados, que viram Ricardo Horta rematar cruzado na área a rasar o poste depois de uma assistência de El Ouazzani (45′).

A reentrada dos minhotos não conseguiu manter o mesmo ímpeto mas a primeira oportunidade depois do intervalo voltou a pertencer ao Sp. Braga, com Victor Gómez a cruzar rasteiro da direita para El Ouazzani não conseguir acertar o remate antes de nova tentativa ao segundo poste que saiu ao lado (55′). O Feyenoord ia deixando de novo a ideia de que conseguia estar confortável na partida em posse mas que, perante um ligeiro abanão, acusava o “toque”. O nulo mantinha-se e Vicens começou a lançar outras soluções, com Gorby e Fran Navarro a entrarem para os lugares de João Moutinho (apenas por questões físicas, tendo em conta que estava a ser um dos melhores em campo) e El Ouazzani. Era altura de ir ao banco procurar crédito.

Essas mexidas não tiveram um impacto direto para melhorar a equipa no plano ofensivo, seguiram-se depois as entradas de Diego Rodrigues e Pau Victor, a contratação mais cara de sempre do clube, com as saídas dos dois principais criativos, Ricardo Horta e Zalazar. Na primeira vez que tocou na bola, Diego Rodrigues teve um remate cruzado que saiu a rasar o poste mas o nulo mantinha-se com apenas 15 minutos por jogar e com os neerlandeses a mostrarem maiores dificuldades em chegarem ao último terço apesar de um desvio de Larin ao poste em fora de jogo (78′). Logo na resposta, o golo: nova saída rápida para o ataque por Diego, passe para a entrada de Leonardo Lelo pelo lado esquerdo e cruzamento para o remate de primeira de Fran Navarro que bateu ainda no poste antes de entrar (79′). Já com Moussa em campo, o Feyenoord ainda teve um golo anulado a Larin (87′) mas os minhotos conseguiram segurar mesmo a vantagem de 1-0 até ao final.