A Stellantis reconhece que as preferências dos clientes persistem em franca evolução, com os modelos 100% eléctricos a continuar a crescer em popularidade, enquanto as mecânicas híbridas plug-in (PHEV) consolidam a procura, o que levou a Jeep a reformular a sua estratégia comercial. A marca mais radical da Stellantis adopta uma política distinta para cada um dos lados do Oceano Atlântico, pois, na maioria das vezes, os norte-americanos e os europeus adquirem veículos distintos. E, mesmo quando partilham opções, estas montam motores diferentes.

Quando a Jeep lançou uma motorização PHEV no Wrangler (a versão 4xe), em 2021, a proposta foi acolhida com uma certa dose de desconfiança por parte de alguns potenciais clientes. Isto porque o motor 2.0 turbodiesel com 272 cv, que ascende a 380 cv com a ajuda de um motor eléctrico com 145 cv (alimentado por uma bateria com 17,3 kWh de capacidade) era mais “pequeno” do que o habitual na marca. O certo é que esta versão com preocupações de economia e ambientais de um jipe “puro e duro” acabou por ser bem acolhida pelo público, como o prova o facto de terem sido comercializadas 55.554 unidades do 4xe em 2024, com esta versão a representar 37% do total das vendas do Wrangler. Como se isto não bastasse, no 2.º trimestre de 2025, o 4xe viu o volume de vendas subir 38%, o que significa que a aposta no PHEV vai de vento em popa.

Em 2022, a Jeep lançou igualmente uma versão PHEV noutro jipe grande e pesado, o Grand Cherokee, que também veio a registar uma boa receptividade. A versão 4xe deste modelo representou, em 2024, 13% das vendas do Grand Cherokee. Por isso, não espanta que as versões com o sistema PHEV 4xe (que alia a tracção traseira do motor a combustão à tracção dianteira assegurada pelo motor eléctrico) do Wrangler e do Grand Cherokee tenham representado 25% das unidades vendidas no 1.º trimestre de 2025.

Se nos EUA quem mais vende é o Grand Cherokee, seguido do Wrangler e da Gladiator, na Europa a realidade é distinta, com o preço e o sistema fiscal a conduzirem em direcção ao Avenger, Compass e Renegade, os modelos da Jeep mais pequenos e menos gastadores e poluentes, tanto mais que oferecem versões eléctricas, híbridas ou PHEV. Mas as diferenças entre os mercados norte-americano e europeu não ficam por aqui. No Velho Continente, a aposta nos modelos a bateria é consistente e tem vindo a ser reforçada, ao passo que nos EUA a estratégia parece ir no sentido de limitar a oferta de veículos com menores emissões, na medida em que, depois do anúncio do fim do projecto da pick-up Ram 1500 eléctrica (outra das marcas da Stellantis), a Jeep fez agora saber que também a anunciada Gladiator 4xe não vai avançar. Menos mal que, para o lugar desta mecânica PHEV, irá regressar o 6.2 V8 soprado por um compressor volumétrico, unidade que já foi oferecida no Grand Cherokee Trackhawk, onde atingia 707 cv.