O Estado registou um excedente de 2.011,2 milhões de euros até agosto, uma melhoria de 1.487,1 milhões de euros face ao período homólogo, de acordo com a síntese de execução orçamental divulgada esta terça-feira. Face a julho o excedente baixou ligeiramente, já que tinha ficado nos 2.327,6 milhões.
“As Administrações Públicas (AP) registaram, até agosto de 2025, um saldo global de 2.011,2 milhões de euros, o que representa um aumento de 1.487,1 milhões de euros face ao período homólogo (que apresentou um saldo global de 524,1 milhões de euros)”, lê-se no documento divulgado pela Entidade Orçamental, antiga Direção-Geral do Orçamento (DGO).
Esta evolução reflete um aumento na receita (8%) superior ao da despesa (6,1%), explica a entidade.
A receita fiscal do Estado totalizou 39.608,8 milhões de euros até agosto, um aumento de 8,7% face ao mesmo período de 2024.
“Em agosto de 2025, a receita fiscal acumulada do subsetor Estado totalizou 39.608,8 milhões de euros”, lê-se no documento. Relativamente a agosto de 2024, verificou-se um aumento de 3.164,7 milhões de euros ou de 8,7%.
Do lado dos impostos diretos, houve um aumento de 1.403,2 milhões de euros devido, sobretudo, à evolução da receita de IRS — Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares, que cresceu 16,5%.
Já a receita do IRC — Imposto sobre o Rendimento das pessoas Coletivas contraiu-se 7,5%, em termos homólogos, penalizada pela redução dos pagamentos de autoliquidação, “em consequência do aumento dos pagamentos por conta entregues em 2024”.
No que diz respeito aos impostos indiretos, constatou-se uma subida de 1.761,5 milhões de euros, relativamente ao mesmo período de 2024, devido ao desempenho da receita líquida do IVA — Imposto sobre o Valor Acrescentado (+9,4%).
Destacou-se ainda o crescimento da receita líquida do ISP — Imposto sobre os Produtos Petrolíferos em 12,8% e do Imposto sobre o Tabaco em 15%.
Sem a prorrogação do pagamento do IVA e o pagamento de impostos diferidos em sede de IRC, em fevereiro de 2024, a receita fiscal teve um ganho homólogo de 7,9%.
No período em análise, os reembolsos fiscais tiveram uma quebra de 9,3% ou de 1.040,3 milhões de euros em comparação com agosto de 2024, com a descida dos reembolsos do IRC e do IVA a pressionarem.
Excedente da Segurança Social sobe para 4,4 mil milhões
Segundo o mesmo documento, o excedente da Segurança Social subiu para 4.408,4 milhões de euros nos primeiros oito meses do ano, face ao mesmo período de 2024.
O valor acumulado até agosto é superior aos 3.339,7 milhões de euros reportados no período homólogo.
Até julho, o excedente estava em 3.214,9 milhões de euros, pelo que se verificou um aumento face ao mês anterior.
A receita efetiva atingiu os 29.788,5 milhões de euros, enquanto a despesa efetiva se fixou nos 25.380,1 milhões de euros.
Destacam-se rubricas como as transferências da União Europeia referentes ao Plano de Recuperação e Resiliência, que aumentaram 66,9% face ao período homólogo, bem como as despesas com o Complemento Solidário para Idosos, que subiram 47,4%.
Por outro lado, há áreas onde se verificou uma redução, como a receita do adicional ao IMI, que caiu 17,3% relativamente ao mesmo período do ano passado, e as medidas excecionais e temporárias referentes à pandemia covid-19, que têm vindo a ser descontinuadas e registaram uma quebra de 74,2%.
Pagamentos em atraso sobem para 889,2 milhões
Os pagamentos em atraso das entidades públicas totalizaram 889,2 milhões de euros até agosto, mais 245,8 milhões de euros face ao mesmo período de 2024.
“No final de agosto, os pagamentos em atraso das entidades públicas ascenderam a 889,2 milhões de euros, o que representa um aumento de 245,8 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior”, lê-se no documento divulgado pela Entidade Orçamental.
Já relativamente ao mês anterior, verificou-se um aumento de 148,7 milhões de euros.
De acordo com o mesmo documento, a evolução homóloga tem em conta um aumento na área da saúde (328,1 milhões de euros), que foi atenuado pela descida na Administração Central (-71,4 milhões de euros), excluindo o subsetor da saúde, e na Administração Local (-14,8 milhões de euros).
Já para a variação mensal pesou a evolução ocorrida nas entidades da área da saúde (146,4 milhões de euros).
Estado regista excedente de 2.327,6 milhões de euros até julho