A cabeça de lista do BE à Câmara de Setúbal alertou esta quarta-feira para a falta de médicos no concelho, mas salientou estar convicta de que os profissionais da Unidade Local de Saúde da Arrábida dão o melhor pelos utentes.

“Levo a certeza de que a administração hospitalar está a trabalhar no sentido de reforçar o Serviço Nacional de Saúde, que está abnegadamente a encontrar soluções imediatas para os problemas candentes no nosso concelho […]. Mas, saio daqui preocupada com a falta de médicos, nomeadamente obstétricos”, disse à agência Lusa Daniela Rodrigues, após uma reunião com a administração da Unidade Local de Saúde da Arrábida (ULSA).

Salientando que o “Serviço Nacional de Saúde é um património que deve ser defendido a todo o custo”, a candidata do BE considerou que Câmara Municipal de Setúbal deve insistir e pressionar o Estado Central para que continue a realocar os recursos necessários para que a ULSA esteja “bem apetrechada”.

“Dentro do conjunto das suas competências, a ULSA deve dar especial enfoque e preocupação à rede das unidades de cuidados de saúde primários. Por isso, todos os centros de saúde têm de estar bem mantidos, têm de ter acessos para todas as pessoas, inclusive as pessoas de mobilidade reduzida, não pode haver restrição alguma de acesso”, disse.

Embora confiante no empenhamento da administração da ULSA na resolução dos problemas, Daniela Rodrigues garantiu que o BE está solidário com a luta dos enfermeiros da unidade de saúde, que na terça-feira estiveram em greve pelo pagamento de dívidas em atraso, que se foram acumulando ao longo dos últimos anos.

Daniela Rodrigues defendeu ainda que a autarquia também pode apresentar soluções no sentido de auxiliar a fixação de profissionais de saúde, tendo em conta a carência de médicos, embora a saúde seja uma competência do Governo. “A autarquia pode oferecer condições para a fixação de médicos”, disse a candidata, defendendo que profissionais de saúde provenientes de outras zonas do país poderiam beneficiar de apoios na área da habitação, “durante um período necessário para a sua integração“.

A promoção da literacia na saúde, ações de sensibilização e consciencialização dos munícipes, o reforço das unidades de cuidados de saúde primários, promoção da saúde mental e reforço dos psicólogos nas escolas, são outras áreas da saúde em que a candidata do BE defende a intervenção da autarquia sadina.

O BE não tem qualquer vereador eleito em Setúbal, mas tem representação na Assembleia Municipal, num município dominado por maiorias CDU (PCP/PEV) há mais de duas décadas.

Nas eleições autárquicas de 12 de outubro, além de Daniela Rodrigues candidatam-se André Martins (CDU), a independente Maria das Dores Meira (apoiada por PSD e CDS-PP), Fernando José (PS), António Cachaço (Chega), Flávio Lança (IL), André Dias (Livre), Mariana Crespo (PAN) e Cláudio Fonseca (ADN).

A CDU, que obteve 34,4% dos votos nas eleições autárquicas de 2021, governa a Câmara de Setúbal com uma maioria relativa, dado que tem apenas cinco eleitos. O PS (27,67%) tem quatro eleitos e o PSD (16,57%) apenas dois.