O cabeça de lista do PS à Câmara da Guarda nas eleições de 12 de outubro diz haver um candidato com “meios incomensuráveis” que ultrapassarão o limite previsto para a campanha num concelho como o guardense.
“Achamos que existe alguém que tem meios ao seu dispor que são incomensuráveis, o que nos leva a crer que ultrapassa todas as verbas destinadas a uma campanha para o concelho com o número de habitante que tem a Guarda”, disse esta quarta-feira António Monteirinho à agência Lusa.
O socialista andou esta quarta-feira por algumas aldeias mais próximas da cidade e reuniu com a direção da delegação da Cruz Vermelha, onde falou à agência Lusa. “Lembro-me de uma revista com 100 páginas, toda ela ilustrada, estamos a falar em mais de 100 mil euros. Pergunto: num limite de cerca de 120 mil euros para a campanha na Guarda, como é possível ter estes meios?“, interrogou.
António Monteirinho também aludiu à existência de “mais de 100 outdoors só na cidade” antes de afirmar que “parece-me que há aqui qualquer coisa que o atual presidente da Câmara quer esconder”. “Mas nós estaremos atentos a isso. Evidentemente que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) irá dar uma resposta a essas situações”, acrescentou.
O cabeça de lista do PS à autarquia da sede do distrito também acusou Sérgio Costa, que se recandidata pela coligação Pela Guarda — Nós, Cidadãos!/PPM, de “usurpação da máquina autárquica para fins eleitorais”. “Parece que se fala que entraram 500 novos funcionários, isto é mais 60% dos funcionários que a Câmara já tinha. Sabe-se que as contas ainda não foram apresentadas, nem a certificação legal de contas, algum problema existe”, denunciou.
António Monteirinho lembrou que o prazo de apresentação desses documentos terminou no final de setembro, “e isso deixa-nos muitas dúvidas sobre o que tem sido a condução financeira da Câmara da Guarda, e não só, por parte do atual autarca, que é um independente encapotado que agora se juntou ao Nós, Cidadãos! e ao PPM”.
Suspeitas à parte, António Monteirinho disse que o PS tem apresentado aos eleitores uma mensagem “positiva” para os próximos quatro anos. “Temos uma equipa experiente e o nosso programa é, sem dúvida alguma, o melhor, sabendo de antemão que temos capacidade para o concretizar. Encaixa perfeitamente num ciclo autárquico sob o ponto de vista financeiro, das obras necessárias para o desenvolvimento do concelho, mas acima de tudo tem uma mensagem de esperança que tem tido muita aceitação”.
O candidato socialista realçou a necessidade de mudança na Câmara por vários motivos, sendo o principal “a falta de compromisso do atual presidente da Câmara relativamente às propostas apresentadas há quatro anos, praticamente não foram concretizadas”.
Das suas propostas, o cabeça de lista do PS realçou as três medidas para a habitação e considera “uma inovação” na Guarda e a nível nacional. “Vamos criar um gabinete próprio para imóveis devolutos e primeira habitação própria e permanente para jovens até aos 40 anos. Será um gabinete que dê resposta no prazo máximo de seis meses”.
A candidatura do PS também propõe a isenção de taxas e licenças, bem como o prolongamento da isenção de IMI e um fundo municipal para auxiliar quem necessite de recuperar imóveis devolutos. “Será um fundo rotativo e alimentado a partir do momento em que as pessoas começam a pagar prestações. Prevemos no primeiro ano cerca de 20 casas, o dobro no segundo e podemos aumentar substancialmente no terceiro e quarto anos”, explicou.
António Monteirinho referiu que este programa surge, “essencialmente, para recuperar o centro histórico da cidade e das nossas freguesias, onde encontramos mais imóveis devolutos, essa é a nossa resposta para esse problema”.
O executivo da Câmara da Guarda tem sete elementos, sendo que, nas eleições de 2021, Sérgio Costa, eleito pelo movimento Pela Guarda, obteve três mandatos, tal como o PSD e o PS elegeu um vereador.