Marta Massada, candidata à presidência da Assembleia Municipal do Porto nas listas de Pedro Duarte, é uma figura conhecida nalguns círculos da cidade: ortopedista de profissão, trabalhou na equipa médica do FC Porto, participou como comentadora em programas futebolísticos e chegou a ser candidata a vice-presidente do clube nas listas de Jorge Nuno Pinto da Costa. Além disso, fez parte, como suplente, das listas de Rui Moreira à Assembleia Municipal — mas nesse contexto não é uma pessoa conhecida, defende agora o próprio presidente da sua bancada, uma vez que nunca participou numa reunião do órgão municipal.
Os registos da Câmara Municipal mostram que, como elemento suplente (era a nona suplente da lista de Rui Moreira), Marta Massada faltou durante este mandato a oito reuniões para as quais tinha sido convocada, para substituir algum elemento da lista, sem dar justificação. Nas restantes para as quais foi convocada, sem chegar a participar, terá dado justificações, relacionadas sobretudo com a sua vida profissional como ortopedista.
Se quem conhece a candidata lembra que é apenas um elemento suplente das listas e que as faltas acontecem recorrentemente neste tipo de reuniões — e que teriam de acontecer também no caso dos elementos anteriores da lista para Massada chegar a ser chamada –, o líder da bancada de Rui Moreira e recandidato nestas eleições contra Massada, Raul Almeida, classifica o comportamento como “altamente censurável”, em declarações ao Observador.
“Enquanto líder da bancada fico profundamente incomodado por ter na lista uma deputada municipal que dá 100% de faltas, não as justificando, revelando total desprezo pela Assembleia Municipal do Porto. Não há memória de outro deputado que tenha feito tal coisa. É um comportamento altamente censurável”, dispara, enquanto na bancada se recorda que há votações muito renhidas no órgão e que por um voto se pode aprovar ou chumbar uma decisão dos deputados municipais.
Questionada pelo Observador, fonte da candidatura de Pedro Duarte (apoiada por PSD, IL e CDS) frisa que Massada não é, em rigor, um elemento eleito da Assembleia Municipal, uma vez que é suplente: “Esse facto é falso. Marta Massada não foi eleita para a Assembleia Municipal. Foi a nona suplente da lista”, responde.
Depois, dispara diretamente contra a candidatura do vice da autarquia Filipe Araújo, com quem as tensões se têm agudizado durante este tempo pré-eleitoral: “Queremos apelar à candidatura-bengala do PS para parar de recorrer a fake news“, atira a mesma fonte.
As atas das reuniões da Assembleia Municipal mostram que entre 2024 e 2025 existem oito faltas não justificadas e uma justificada por parte de Marta Massada, agora colocada no primeiro lugar da lista. Segundo fontes conhecedoras do processo, quando existe necessidade de substituir um deputado municipal passa-se aos elementos seguintes, que informam se poderão ou não estar presentes; se informarem desde logo que não estarão, a resposta não conta como falta. Mas, se confirmarem presença e depois não aparecerem, a ausência fica registada.
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