O candidato da CDU à Câmara de Cascais assumiu este domingo, na Adroana, que os grandes objetivos passam por voltar ao executivo, retirar a maioria absoluta à coligação PSD/CDS-PP e realizar uma auditoria às “urbanizações suspeitas” no município.
“O grande objetivo mesmo é retirar a maioria absoluta ao PSD, fazer crescer a CDU, levar a CDU de novo ao governo desta Câmara, tendo em conta que toda a gente hoje da esquerda à direita entende que a CDU faz falta a esta Câmara”, afirmou Carlos Rabaçal.
O candidato da coligação PCP/PEV, que falou durante uma visita à Feira da Adroana, acompanhado do cabeça de lista para a Assembleia Municipal, Vitor Maló Machado, e da principal candidata à freguesia de Alcabideche, Telma Santos, ambiciona ainda o crescimento em todos os órgãos municipais.
“Somos a única força que defende a redução do preço da água e o regresso da água à gestão pública. A única força que nesta Câmara está a lutar pelos trabalhadores das empresas municipais, que têm 40 horas e não 35 horas, uma situação que é única no país inteiro e é absolutamente inaceitável”, avançou o atual vereador em Setúbal, que já foi autarca em Cascais entre 1993 e 1999.
O candidato comunista defendeu também “auditorias a todas as urbanizações suspeitas que estão a decorrer neste momento” em Cascais, “para corrigir o que está a acontecer e acabar com esse ambiente de suspeição que existe sobre esta Câmara em relação a compadrios, corrupções e outras matérias que não são legítimas e que não são boas para os munícipes”.
Apesar de notar que Cascais é “um concelho magnífico”, que “precisa de fazer o que falta”, o seu lema de campanha, Rabaçal considerou que “há muito para fazer, sobretudo na assimetria entre a zona litoral e a zona interior”.
“Temos aqui ruas sem saneamento, temos zonas sem saneamento, sem abastecimento de água, sem alcatrão, temos situações inaceitáveis no século XXI, num município riquíssimo, o quarto município mais rico deste país, mas também o terceiro mais desigual”, apontou.
A comitiva percorreu o recinto, distribuindo panfletos, com Carlos Rabaçal à cabeça a assegurar que tem “propostas práticas”, como “baixar o preço da água rapidamente”, “mais transportes para as pessoas”. Uma visitante acrescentou que “a saúde também está muito de rastos”.
“Mas vocês não conseguem”, desabafou a mulher, levando o candidato a assegurar que se “lá estiverem” podem “dar uma ajuda grande” para conseguir concretizar aquilo que propõem.
Uma vendedora de uma banca de roupa interior, após apregoar “Ai, filhas, vocês não tenham vergonha, não tenham vergonha”, respondeu ao candidato que vota em Lisboa, sendo aconselhada a colocar o voto em João Ferreira, da CDU, que “é o melhor candidato, conselho reformulado depois para uma eleitora de Sintra.
“Eu voto em vocês, mas vocês têm de me comprar isto tudo”, brincou outro vendedor, numa banca de loiça e artigos de cozinha, criticando que passam a vida a “dizer mal dos outros” e “depois quando vão lá para dentro não fazem nada”.
Noutra banca, após aceitar um folheto, a vendedora comentou que se lhe “dessem o dinheiro dos papéis” que lhe têm dado, levando Rabaçal a concordar que “isso é que era”, seguindo-se um sonoro “Ó linda, três peças 10 euros”.
O candidato referiu ainda como questão fundamental a mobilidade, advogando o aumento dos transportes rodoviários gratuitos, atualmente com 44 linhas e 112 autocarros, para “pelo menos 100 linhas” e “cerca de 200 autocarros”.
Por isso, preconizou “a integração imediata dos transportes municipais na rede metropolitana de transportes”, beneficiando “das condições técnicas, materiais e de investimento que esse sistema tem para servir melhor os munícipes”.
O executivo de Cascais é composto por sete eleitos da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP), três da coligação Todos por Cascais (PS/PAN/Livre) e um do Chega.
Nas eleições de dia 12, concorrem Nuno Piteira Lopes (PSD/CDS-PP), João Ruivo (PS), Alexandre Abreu (BE/Livre/PAN), João Rodrigues dos Santos (Chega), Carlos Rabaçal (CDU), Manuel Simões de Almeida (IL), Fábio Pereira (ADN), João Maria Jonet (independente) e António Pinto Pereira (independente, com apoio da Nova Direita e Nós, Cidadãos!).