Pelo menos 14 crianças morreram na Índia após tomarem um xarope para a tosse que estava contaminado, levando a polícia dos estados de Madhya Pradesh e de Tamil Nadu a abrir uma investigação por homicídio involuntário contra o fabricante e um médico que o prescreveu, adianta a agência de notícias Reuters. O Coldrif Syrup, que é produzido pela Sresan Pharma, continha até 500 vezes o limite permitido de uma substância tóxica chamada dietilenoglicol (DEG).
Segundo o relatório divulgado pelas autoridades indianas, a maioria das crianças afetadas tinha menos de cinco anos e desenvolveu falência renal após tomar o remédio. O documento detalha que “todas as crianças apresentavam sintomas como constipação leve, gripe ou febre. A maior parte das vítimas foi medicada com o xarope Coldrif, desenvolvendo, ainda, retenção urinária e insuficiência renal aguda”.
As análises realizadas após o caso confirmaram a presença elevada de DEG no medicamento: 48,6% nas amostras de Tamil Nadu e 46,3% em Madhya Pradesh, valores muito superiores ao limite de 0,1% permitido pela Organização Mundial de Saúde.
O Coldrif Syrup era comercializado exclusivamente na Índia e o médico responsável por prescrever o medicamento à maioria das crianças foi, entretanto, detido. A Sresan Pharma poderá, agora, enfrentar acusações de homicídio, adulteração de medicamentos e fabrico ou distribuição ilegal de produtos. As penas podem incluir multas pesadas e prisão perpétua.
Este caso junta-se a várias tragédias recentes: os xaropes fabricados na Índia têm sido ligados à morte de pelo menos 141 crianças na Gâmbia, no Uzbequistão e nos Camarões desde 2022. Também em 2019, foram registadas 12 mortes em território indiano pela mesma causa.
A Índia é o país com terceira maior indústria farmacêutica do mundo, fornecendo 40% dos medicamentos genéricos aos Estados Unidos, 25% ao Reino Unido e mais de 90% a vários países africanos.
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