Dez jogos, três golos. O registo de Viktor Gyökeres no arranque da atual temporada está longe de ser brilhante, apesar de o Arsenal entrar para este fim de semana na liderança da Premier League, e o avançado sueco ainda está longe de convencer os adeptos dos gunners que há tanto tempo esperavam por um verdadeiro ponta de lança.
Ainda assim e tal como tem acontecido desde o dia em que o contratou, Mikel Arteta continua a defender Gyökeres. E aproveitou a antecâmara da visita deste sábado ao Fulham, logo depois da interrupção para os compromissos das seleções nacionais, para revelar uma conversa que teve com o avançado sueco ainda antes de este deixar o Sporting para rumar a Londres.
“Ele traz muito e ao ver os jogos estou muito satisfeito com o que deu à equipa. Disse-lhe ainda antes da primeira reunião que queria um ‘9’ que aguenta se não marcar durante oito jogos. Se não tem de ir para outro lado, porque a expectativa vai continuar. Seca de golos? Faz parte do futebol, vês o historial dos números ‘9’ e vais ter momentos assim. Espero que os tenha a jogar e não por lesão. Ele tem muitas coisas que não são tão percetíveis, cria um ambiente, espaço e soluções para muitos jogadores à sua volta. E com o talento que temos na equipa tenho a certeza de que todos, incluindo ele, vão beneficiar disso”, explicou o treinador espanhol.
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Era neste contexto que o Arsenal visitava o Fulham num dos dérbis de Londres — já depois de o Manchester City ter derrotado o Everton, ou seja, obrigado a ganhar para segurar a liderança isolada da Premier League. Sem o lesionado Odegaard, Mikel Arteta lançava Trossard e Bukayo Saka no apoio mais direto a Gyökeres, com Declan Rice, Zubimendi e Eze no meio-campo, enquanto que Marco Silva apostava naturalmente em Raúl Jiménez como referência ofensiva depois de duas derrotas consecutivas contra Aston Villa e Bournemouth.
Numa primeira parte disputada e entretida, mas sem golos, o Arsenal começou por ter mais bola de forma natural mas demonstrava algumas dificuldades para criar situações de perigo, enquanto que o Fulham precisava de poucos passes para chegar perto da baliza de David Raya. A equipa de Marco Silva ficou perto de abrir o marcador por Raúl Jiménez (11′) e Harry Wilson (26′) e tudo o que os gunners fizeram durante a meia-hora inicial foi marcar um belo golo de Riccardo Calafiori, com um pontapé em jeito, que acabou anulado por fora de jogo (16′).
A lógica, porém, mudou nos últimos 15 minutos da primeira parte. O conjunto de Mikel Arteta cresceu no jogo, muito à boleia da subida de rendimento de Bukayo Saka na direita, e Gyökeres teve uma boa oportunidade para marcar com um remate na área que Bernd Leno defendeu (36′). Os gunners chegaram à reta final do primeiro tempo claramente por cima, com Declan Rice a protagonizar ainda um pontapé de fora de área que passou pouco ao lado da baliza nos descontos (45+7′), mas tudo chegou empatado ao intervalo.
Back under way.
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Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo, sendo que Marco Silva já tinha sido obrigado a trocar Joachim Andersen por Issa Diop ainda na primeira parte devido a lesão do central dinamarquês, e o segundo tempo pareceu começar como tinha terminado o anterior — mais Arsenal, menos Fulham, com os gunners a aproximarem-se da baliza de Bernd Leno de forma consecutiva.
Ainda assim, o Fulham tinha a capacidade de criar perigo em transições rápidas, como aconteceu num lance em que Harry Wilson rematou de primeira mas por cima da trave (55′), e parecia algo confortável com a ideia de defender mais baixo para depois explorar o contra-ataque. Antes da hora de jogo, porém, o expectável aconteceu: o Arsenal marcou de pontapé de canto. Bola na direita, Gabriel Magalhães desviou ao primeiro poste e Trossard, ao segundo, desviou para abrir o marcador (58′).
A regra é simples: canto para o Arsenal = golo ????
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Marco Silva foi novamente forçado a mexer, retirando Tom Cairney por problemas físicos para lançar Emile Smith Rowe, e Mikel Arteta colocou Mikel Merino no lugar de Eze. O árbitro da partida ainda assinalou falta de Kevin sobre Saka no interior da grande área, revertendo a decisão depois de ser chamado ao VAR, e os gunners acabaram por recuar na pressão e na intensidade, gerindo o encontro com bola e sem grandes calafrios.
Já nada mudou até ao fim, sendo que Gabriel Martinelli e Norgaard ainda entraram em campo e Gyökeres saiu nos descontos, e o Arsenal venceu o Fulham em Craven Cottage para chegar à quinta vitória consecutiva em todas as competições e manter a liderança isolada da Premier League com mais três pontos do que o Manchester City.