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O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, disse esta terça-feira não haver “dogmas” sobre a revisão da Constituição, mas sublinhou que o “impulso” nesse sentido tem de ser dado pelos grupos parlamentares e pelos deputados.

“As questões, em democracia, tratam-se num debate aberto, democrático, com capacidade de esgrimir os argumentos que conduzem àquilo que seja melhor para a região autónoma [da Madeira], no caso, e para o país no seu todo, para a República”, afirmou.

Aguiar-Branco falava após um encontro com o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, que decorreu na Quinta Vigia, no Funchal, no âmbito de uma visita de dois dias à região autónoma, que termina esta terça-feira.

“A própria Constituição prevê os seus momentos de revisão”, disse, acrescentando que esta reconhece a dinâmica das sociedades ao longo dos anos e “define a periodicidade, a forma e o modo de essa revisão acontecer, e que não há dogmas para se poder tratar”.

“O impulso para que as revisões aconteçam, nomeadamente a constitucional, resulta daquele impulso que tem de ser dado pelos grupos parlamentares e pelos deputados”, sustentou, sublinhando que a situação deve ser encarada como “uma normalidade em democracia”.

José Pedro Aguiar-Branco reagiu deste modo à intenção manifestada pelo Governo da Madeira (PSD/CDS-PP) de avançar com um projeto de revisão da Constituição, que, segundo disse o chefe do executivo insular, será apresentado em breve e é “ousado”.

“Não é uma mudança conjuntural, nem para um ciclo eleitoral, mas uma mudança para assegurar mais 50 anos de prosperidade das autonomias”, afirmou Miguel Albuquerque, sem avançar pormenores.

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No final do encontro com Aguiar-Branco, o governante madeirense sublinhou, por outro lado, que a Lei das Finanças Regionais tem de ser “urgentemente revista”, de modo que o Estado assuma as suas “obrigações constitucionais” relativamente às regiões nos sobrecustos da saúde, da educação, bem como ao nível da proteção civil e dos transportes.

Miguel Albuquerque, que lidera o executivo regional desde 2015, classificou a Lei das Finanças Regionais como “caduca e iníqua”, vincando que, passados 50 anos da instituição da autonomia (data que se celebra em 2026), é fundamental garantir que as regiões autónomas “tenham os poderes democráticos nas assembleias necessários para assegurar o seu próprio desenvolvimento, sem pôr em causa a unidade nacional”.

“No século XXI e com as mudanças que estão a ocorrer no contexto mundial, temos de ter instrumentos para podermos assegurar o desenvolvimento da Madeira”, disse, reforçando: “Não podemos ficar agarrados a princípios que, neste momento, estão perfeitamente ultrapassados“.

Já o presidente da Assembleia da República sublinhou que a autonomia faz parte da história democrática do país. “É um valor nacional que devemos celebrar não só na dimensão regional, mas também em Lisboa, na dimensão nacional”, disse.

Aguiar-Branco referiu-se, por outro lado, à possibilidade de criação de uma ligação ferry de passageiros entre a Madeira e o continente, sendo que o Diário de Notícias da Madeira noticiou esta terça-feira que o Governo da República avançou com um estudo para avaliar a sua viabilidade económico-financeira.

Também esta terça-feira, o líder do Chega/Madeira, Miguel Castro, desafiou, em comunicado, o presidente da Assembleia da República a indicar se os madeirenses “merecem, ou não, uma ligação ferry regular”.

“É evidente que merecer, merecem, porque é uma realidade que não podemos dizer de outra forma”, afirmou Aguiar-Branco, considerando que, agora, é necessário esperar pelo estudo do Governo da República.

O presidente da Assembleia da República termina esta terça-feira uma visita de dois dias à Madeira, que incluiu deslocações a instituições sociais e académicas e onde assinalou os 50 anos das autonomias regionais, numa sessão que decorreu na Assembleia Legislativa, na segunda-feira.

Esta terça-feira à tarde, Aguiar-Branco visita a Casa de Saúde de São João de Deus, no Funchal, e depois terá um encontro com estudantes na Universidade da Madeira, no Colégio dos Jesuítas.

O último ponto do programa previsto é uma visita ao espaço “Projeto Casa Esperança”, da IPSS Associação de Desenvolvimento Comunitário do Funchal “Garouta do Calhau”, também no Funchal.