A morte de Francisco Pinto Balsemão desencadeou uma catadupa de reações política em todas as áreas, da esquerda à direita, com elogios que coincidiram sobretudo no papel que o social-democrata teve na luta pela democracia e nos primeiros combates pela liberdade de imprensa no país, que começaram ainda na ditadura. Nos partidos da oposição ao partido que fundou, o PPD (PSD a partir de 1976), apenas PCP e BE não reagiram nas primeiras horas após a notícia da sua morte.

No PS, o líder José Luís Carneiro destacou, em declarações à SIC-Notícias, a “perda de uma personalidade marcante na vida de um país democrático e de uma imprensa livre no nosso País, condição para a nossa vida democrática”. Também o histórico do partido Manuel Alegre recordou Balsemão como “pioneiro na luta pela liberdade de imprensa e pela liberdade, primeiro na ditadura. na ala liberal, e depois fundando o Expresso, mesmo sob a censura”.

Os dois estiveram, nos últimos anos, lado a lado no Conselho de Estado e Alegre lembra que mantinham mesmo uma “amizade” e “almoços” regulares. Para o socialista, o social-democrata foi “uma das figuras mais marcantes” da política nacional. Também o presidente do PS, Carlos César, recordou o convívio no Conselho de Estado, mostrando-se “sensibilizado com a sua inteligência e objetividade, a sua cortesia e o seu sentido de humor”. “Fazem imensa falta à melhor expressão da política portuguesa pessoas como Francisco Pinto Balsemão”, escreveu no Facebook.

“Ficará sempre ligado ao Expresso e à SIC que revolucionaram a comunicação social em épocas tão diferentes”, escreveu, por sua vez, o antigo líder socialista Eduardo Ferro Rodrigues numa nota enviada à Lusa. E João Soares recordou ainda o papel de Balsemão “no quadro da imprensa à frente do Diário Popular, onde travou os primeiros combates pela liberdade de imprensa e pela liberdade no geral ainda durante a ditadura”. Também lembrou a relação de amizade que Balsemão manteve com os seus pais, Maria Barroso e Mário Soares, e que começou ainda antes do 25 de abril.

Quanto ao percurso político de Balsemão, José Luís Carneiro também destacou “a visão de um grande social democrata, talvez um dos nossos políticos que viveu mais profundamente os valores da social democracia”. E António Vitorino lembrou também o papel que o então líder do PSD teve na revisão constitucional de 1982. O socialista explicou precisamente que conheceu Balsemão “num momento decisivo” dessas negociações, recordando a “noite decisiva” do acordo entre Balsemão e Mário Soares sobre ” a organização do poder político e que ainda está hoje em vigor.”

Ainda à esquerda, o porta-voz do Livre, elogiou o papel do fundador do PPD da democracia portuguesa, assinalando que “deu muito ao país. Em ditadura e na democracia. Na imprensa e na política. Na oposição e no governo. Como jornalista e empresário. A aliados e adversários”, destacou Rui Tavares.

Do lado do PCP e do Bloco de Esquerda não existiam, à hora da publicação deste artigo, mensagens oficiais ou comentários de dirigentes sobre a morte do antigo primeiro-ministro e fundador do PPD.

[A 14 de janeiro de 1986 um acontecimento muda o rumo da campanha das presidenciais: a inesperada agressão a Soares na Marinha Grande. Nas urnas, o socialista e Zenha lutam por um lugar na segunda volta frente a Freitas. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui.]

Já na Iniciativa Liberal, a líder Mariana Leitão destacou, através das redes sociais, o papel de Balsemão como “deputado da ala liberal antes da revolução de Abril, primeiro-ministro de Portugal depois, fundador do Expresso e da primeira televisão privada portuguesa”.

No caso do Chega, a primeira reação que surgiu na noite desta terça-feira foi através de Pedro Pinto que estava num painel de comentário na RTP Notícias e destacou “uma inteligência acima da média” em Balsemão de quem destacou o facto de “nunca ter escondido as suas raízes de centro esquerda, nunca procurou ocultar, nunca se escondeu no jogo político”. Só mais tarde, já ao início da madrugada, o líder André Ventura escreveu no X uma curta mensagem a destacar o “legado marcante” de Balsemão, nomeadamente “na construção de novas formas de comunicar em democracia.”

Também Inês Sousa Real, deputada e líder do PAN, usou as redes sociais para assinalar o momento com uma breve mensagem onde escreveu sobre o “nome incontornável da democracia e política nacional”, “independentemente das diferenças ideológicas”.