Os netos de Ruth Ellis, a última mulher a morrer enforcada no Reino Unido, apresentaram esta terça-feira um pedido de perdão condicional póstumo ao vice-primeiro-ministro e ministro da Justiça, David Lammy, considerando que a avó não deveria ter sido condenada a pena de morte, denunciando episódios que estariam na origem do crime.
Ruth Ellis, de 28 anos, foi enforcada em 1965, após matar o marido à saída de um pub, acompanhada por Desmond Cussen, um homem com quem teve um breve relacionamento e que lhe deu uma arma. No requerimento, citado pelo The Guardian, são detalhadas evidências do impacto de alegados abusos sexuais, emocionais e físicos sofridos por Ruth às mãos do marido, o piloto de corridas David Blakely, e que a família considera deviam ter levado à suspensão do enforcamento.
De acordo com os relatos da própria Ruth, de amigos, médicos e outras testemunhas, a mulher chegou mesmo a ser agredida em público com tal violência que sofreu um aborto espontâneo e ficou com múltiplos hematomas no corpo.
Ao The Guardian, Laura Enston, neta de Ellis, disse que “a execução de Ruth teve um impacto devastador na família”. “A minha mãe e o meu tio sofreram um trauma do qual nenhum deles se conseguiu recuperar, e como netos, sentimos esses efeitos colaterais”, contou, relatando: “Durante muitos anos, nunca me quis associar a esta história, devido à narrativa em torno de Ruth. Ela era realmente apresentada como uma assassina de sangue frio. Quando éramos crianças, sofríamos bullying na escola, eu sentia que tinha um alvo na minha cabeça”.
Grace Houghton, advogada da família, considerou, também em declarações ao jornal britânico, que este é o “momento perfeito” para solicitar o perdão, devido ao elevado número de casos de violência doméstica registados e ao crescente debate sobre o seu impacto dos abusos nas vítimas.
Em reação, um porta-voz do Ministério da Justiça referiu que “o ministro considera todos os pedidos de perdão reais, de acordo com as convenções de longa data que regem o uso da prerrogativa”. Em 2023, foi rejeitado um recurso porque foi considerado que era preciso ter em conta a lei à época do crime, mas, segundo o The Guardian, o Ministério da Justiça pode decidir um perdão com base na evolução legal.
Este caso deu origem aos filmes Dance with a Stranger (1985) e Ruth Ellis: A Life for a Life (1999) e à mini série Um Amor Cruel – A História de Ruth Ellis, estreada 17 de fevereiro de 2025.