A Procuradoria-Geral da República confirma que está já a ser investigado o derramamento de 19 mil litros de combustível Jet A1 no Aeroporto de Lisboa, que acabou por se espalhar pela cidade através do saneamento — com o odor forte a sentir-se na zona oriental da cidade — e obrigou a que fosse emitido um alerta amarelo pela ANA.
O acidente, revelado pelo Observador, aconteceu perto das 14h45 de 2 de outubro, quando, no Terminal 1, uma máquina que operava nas obras de ampliação do aeroporto, perfurou por erro uma conduta de combustível. Para o local foram enviados meios da Proteção Civil, do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa e da PSP, além da equipa de bombeiros do aeroporto que tentou reter parte do combustível desde os primeiros minutos.
Ao Observador, a PSP já tinha revelado que tinha sido “elaborado Auto de Notícia, uma vez que a situação poderá, eventualmente, integrar os elementos típicos do artigo 279.º do Código Penal (Poluição), atenta à libertação de substância poluente e degradação do ambiente, com perigo concreto para pessoas e bens”, referindo que caberia ao Ministério Público a decisão de abrir ou não inquérito-crime.
Agora, em resposta escrita enviada ao Observador, o gabinete de Amadeu Guerra fez saber que o inquérito-crime foi entretanto aberto: “Existe um inquérito relacionado com a matéria a correr termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa”.
Dado o escoamento para os sumidores no interior do aeroporto, o serviço municipal de Proteção Civil explicou ao Observador que contactou de imediato o Departamento de Saneamento da Câmara Municipal de Lisboa “para avaliação da situação, assim como a Águas do Tejo Atlântico, entidade gestora da operação das ETAR de Lisboa, incluindo as ETAR de Beirolas e Chelas que servem o Aeroporto Humberto Delgado, tendo mantido com estas duas entidades contacto permanente”.
Apesar das preocupações de vários moradores que contactaram as autoridades devido ao odor forte que saía das sarjetas das ruas, como as medições feitas não apontavam para “níveis de perigosidade que evidenciassem risco para a saúde pública”, a Proteção Civil decidiu não lançar qualquer aviso à população, não tendo também comunicado o caso às Autoridades de Saúde Pública “por não se verificar qualquer risco que o justificasse”.
O que fizeram os bombeiros do aeroporto para evitar consequências mais graves
O aeroporto de Lisboa tem uma equipa de bombeiros própria, sempre de prontidão, e foram os primeiros operacionais a tentar controlar a fuga e a prevenir qualquer cenário trágico. Ao Observador, a ANA começou por referir que o aeroporto se encontra “equipado com uma rede de drenagem protegida por separadores de hidrocarbonetos”. Sendo que as equipas técnicas da ANA, assim como os bombeiros do aeroporto, “tomaram todas as diligências para minimizar os potenciais impactes o mais rápido possível”.
Fecho da válvula, parando assim o derrame num curto espaço de tempo; Evacuação imediata da área e ativação do plano de emergência do aeroporto; Isolamento da área afetada e contenção do derrame com espuma pelos serviços de emergência, disponibilização de meios de primeira resposta (barreiras de contenção, material absorvente, equipamentos de recolha e recipientes para resíduos contaminados); Inspeção das caixas de drenagem de águas pluviais na envolvente ao aeroporto, aspiração e contenção das bolsas de combustível; Limpeza superficial do pavimento”.
Apesar disso, não se evitou que parte do combustível fosse encaminhado para as condutas de saneamento, levando a que uma quantidade de Jet A1 (segundo informação que a ANA partilhou com a Proteção Civil) se espalhasse pela cidade pelo saneamento. As equipas da Proteção Civil chegaram já num segundo momento.
O Observador sabe que no local os operacionais foram rápidos a usar a espuma de forma a “isolar” o combustível de qualquer fonte de ignição e que os receios com a grande quantidade de combustível que circulava no saneamento só não foram maiores devido às temperaturas mais amenas. “A temperatura ambiente não era também das mais altas. Acho que [poderia ter sido um problema] num dia de temperatura de 40ºC ou de perto de 40ºC…“, diz uma fonte do aeroporto sob anonimato, rematando: “Risco há sempre”.
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