O jovem que em setembro de 2024 esfaqueou seis colegas, na Azambuja, já não estuda na Escola Básica 1, 2 e 3 da Azambuja. A informação é avançada ao Observador pelo presidente da Câmara Municipal da Azambuja: “Sabemos que o menino deixou de frequentar aquela escola”, refere Silvino Lúcio.

Segundo o autarca, as seis vítimas continuam na escola e têm sido acompanhadas por uma equipa de psicológicos. Silvino Lúcio recorda ainda as medidas de segurança que foram introduzidas depois do ataque com uma faca. “A autarquia, na altura, reforçou as medidas de segurança no local, em articulação com a PSP e com o projeto Escola Segura”. Os alunos passaram a ser revistados pelos técnicos da escola, antes do início das aulas, sobretudo para garantir que nenhum jovem entra com qualquer tipo de objetos cortantes.

O ataque aconteceu no dia 17 de setembro de 2024, uma terça feira. Por volta da hora do almoço, o aluno do 7.º ano da Escola Básica 1, 2 e 3 da Azambuja — então com 12 anos — foi a casa buscar uma faca de cozinha e um colete à prova de bala (Kevlar) que pertencia ao pai. Regressou de seguida à escola, ainda num momento em que os colegas estavam no recreio. Já nos corredores, junto às salas de aula, tirou a faca de cozinha da mochila e começou a agredir indiscriminadamente os colegas. O ataque deixou seis jovens feridos, cinco raparigas e um rapaz, com idades entre os 11 e os 14 anos. Uma das raparigas ficou em estado grave e foi transportada para o Hospital de Santa Maria com ferimentos no crânio e no tórax.

Já o autor do ataque foi transportado para o Hospital Dona Estefânia, onde foram submetidos a uma avaliação psiquiátrica. Na investigação, conduzida pela Polícia Judiciária, foi descartada a hipótese de se ter tratado de uma vingança motivada por bullying. O semanário Expresso avançou na altura que o menor pesquisava sites de ideologia nazi — e que, sem capacidade para processar as informações com que era confrontado, poderia ter acabado por concretizar influenciado por esses conteúdos.

A Polícia Judiciária avaliou também a hipótese de o jovem ter sido instigado por terceiros na internet ou de ter sofrido um surto psicótico. Sobre estes atos, o psicólogo forense e especialista em criminologia, Rui Abrunhosa Gonçalves sublinha, ao Observador, a importância de os pais acompanharem as crianças no tempo que passam nas redes sociais e na internet: “É muitíssimo desaconselhável que os filhos se fechem num quarto — com a porta fechada ou não —, horas e horas a fio, seja nos jogos, seja na internet, sem haver nenhum tipo de controle por parte dos pais”, defende Rui Abrunhosa Gonçalves.

Na sequência deste ataque, o menor foi enviado para um centro educativo em Lisboa por decisão do Tribunal de Família e Menores de Vila Franca de Xira, ao abrigo da Lei Tutelar Educativa.

Contactados sobre o ponto de situação do processo, o Ministério Público, o Agrupamento de Escolas da Azambuja e o próprio Tribunal de Família e Menores de Vila Franca de Xira não prestaram esclarecimentos.

Questionado sobre a situação atual de segurança nas escolas da Azambuja, o presidente da Câmara Municipal da Azambuja refere que os protocolos de segurança que foram implementados depois do ataque continuam em vigot, mas não tem conhecimento de mais casos de violência: “As instruções não foram abandonadas. Atualmente, já não há uma vigilância mais apertada, mas não tivemos conhecimento de outras situações”, garante Silvino Lúcio.

152 jovens institucionalizados. Maioria dos crimes são agressões

Este caso insere-se no contexto da criminalidade juvenil em Portugal. Os relatórios mensais da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), consultados pelo Observador, revelam que a 31 de agosto de 2026 estavam institucionalizados 152 jovens em centros educativos, uma ligeira diminuição relativamente aos 156 registados no final de 2025. A grande maioria destes 152 jovens são do sexo masculino e de nacionalidade portuguesa — apenas 21 são estrangeiros.

O mesmo relatório refere que mais de 60% dos crimes são cometidos contra pesssoas, com um total de 290 crimes registados num universo de 384. O crime de ofensa à integridade física voluntária simples é o mais praticado, com 61 registos. Já o crime de ofensa à integridade física voluntária grave aparece imediatamente a seguir, com 60 registos.

A tipologia criminal mais frequente são os crimes contra o património, cerca de 30% do total de crimes praticados pelos jovens, com o crime mais praticado dentro desta tipologia a serem furtos, com 35 registos, e roubos, com 34.

Fonte: Direção de Serviços de Justiça Juvenil

Estes dados são apenas referentes a jovens com idades entre os 12 e os 16 anos, que se inserem dentro da Lei Tutelar Educativa.