Yifat Tomer-Yerushalmi, que até à passada sexta-feira era a procuradora do Exército israelita, foi detida este domingo à noite devido ao seu envolvimento na divulgação à imprensa de um vídeo que mostra alegados abusos sexuais e tortura cometidos por soldados israelitas contra um prisioneiro palestiniano, na prisão de Sde Teiman, no verão do ano passado. A detenção foi feita depois de horas de buscas pela ex-procuradora, que se encontrava desaparecida. Depois de ter sido ouvida esta segunda-feira, o tribunal distrital de Telavive ordenou a sua detenção por um prazo de dois dias.
Na semana passada, a militar israelita foi suspensa do cargo de principal advogada das Forças de Defesa de Israel (IDF), no âmbito de um inquérito que procurava averiguar como é que o canal israelita Channel 12 tinha tido acesso ao vídeo, gravado pelas câmaras de videovigilância de Sde Teiman, dias depois de dez soldados terem sido detidos, suspeitos de terem perpetrado os abusos que deixaram o prisioneiro em estado grave.
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Na sequência deste inquérito, Tomer-Yerushalmi demitiu-se do cargo na passada sexta-feira. Na carta de demissão, admitia que tinha autorizado a divulgação das imagens à imprensa, de forma a combater a narrativa da extrema-direita, que acusava as autoridades judiciais militares de estarem a “perseguir” os soldados.
Contudo, durante o fim de semana, o tema gerou um novo braço de ferro entre a procuradora-geral de Israel e o Governo. A primeira procurou continuar a investigar a divulgação, mas o Executivo defendeu uma investigação independente, acusando, de forma velada, a procuradora-geral de ter sido cúmplice de Tomer-Yerushalmi na divulgação.
Ainda durante o fim de semana, a imprensa israelita dava conta de que as autoridades tinham mobilizado um forte dispositivo policial e encetado buscas pela antiga procuradora-militar, que se encontrava desaparecida e incontactável há várias horas. A emissora pública Kann chegou a avançar que teria sido encontrado um bilhete de suicídio em casa de Tomer-Yerushalmi.
A militar de 51 anos acabou por ser encontrada já durante a noite de domingo “viva e bem de saúde”, depois de ter contactado o marido, relatou o Timesof Israel, e foi detida sob suspeitas de “divulgação e outras ofensas criminais graves”. O militar que ocupou o cargo de procurador do Exército antes de Tomer-Yerushalmi, Matan Solomosh, também terá sido detido, sob as mesmas suspeitas.
Já esta segunda-feira, a ex-procuradora foi ouvida em tribunal, tendo o juiz ordenado a extensão da sua detenção por um prazo de 48 horas — ou seja, até quarta-feira —, dando razão aos argumentos de poderia tentar influenciar a investigação à divulgação do vídeo que está a decorrer. Tomer-Yerushalmi apresentou um recurso à decisão, mas este foi recusado.
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Artigo atualizado às 19h05 com a notícia da extensão da detenção da antiga procuradora