Pelo menos seis pessoas, entre as quais cinco guardas prisionais, ficaram feridas por inalação de fumo na sequência de um incêndio ocorrido esta segunda-feira na cadeia de Tires, avançou o Cascais 24 Horas e confirmou o Observador junto de fonte oficial dos Bombeiros Voluntários de Parede. Uma das guardas ficou ferida com gravidade, garantiu Telmo Ferreira, comandante da Proteção Civil.
De acordo com a mesma fonte, o alerta foi dado por volta das 11h50 depois de uma reclusa ter incendiado, com recurso a um isqueiro, o colchão e alguns pertences da sua cela, estando a situação normalizada, informaram os serviços prisionais. “Reclusos podem fumar em qualquer canto, têm acesso a tudo”, disse o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Frederico Morais.
“A situação foi imediatamente detetada pelos serviços de vigilância que, com os meios próprios do estabelecimento, extinguiram o foco de incêndio e retiraram a reclusa da cela”, informou a DGRSP em resposta escrita, acrescentando que, “por cautela, foi ativado INEM”.
À Lusa, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) adiantou que não foram registados ferimentos por queimaduras e que as cinco guardas prisionais que se dirigiram à cela e a reclusa foram transferidas para um hospital por inalação de fumo. A DGRSP referiu ainda que os danos provocados pelo incêndio se restringem à cela onde foi ateado o fogo, estando a situação normalizada.
“Ela nunca deveria ter sido colocada em Tires”. Dirigente sindical lembra agressões anteriores
A reclusa, uma mulher transexual, foi primeiro levada para um cela diferente e depois para os serviços clínicos da prisão, antes de ser transportada, pelas 16h, para o hospital. Frederico Morais referiu que prestará apoio jurídico caso as guardas prisionais queiram avançar com uma queixa contra a reclusa “por fogo posto com a intenção de provocar danos aos guardas prisionais”. “Deveria haver por parte da direção da cadeia queixa-crime também por danos públicos”, acrescentou.
Ao Observador, o dirigente disse que olhava para este caso como tendo sido intencional para “provocar dano”. Segundo o relato, a reclusa ter-se-á escondido “atrás de uma janela” de maneira “a não apanhar fumo”. “Ela meteu-se entre a janela e a grade, onde há um patamar de cimento de 20 centímetros. Ela sabia que estava a respirar ar puro e não fumo”.
“Ela nunca deveria ter sido colocada em Tires, mas sim em Monsanto, na prisão de alta segurança, porque agrediu há três semanas um guarda prisional por querer voltar a ser homem. Nós dissemos que não podia estar numa zona prisional comum, mas sim numa secção de segurança. Infelizmente ninguém nos quis ouvir e hoje temos estas consequências”, desabafou Frederico Morais em conversa com o Observador.
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