A EDP anunciou um investimento de 2,5 mil milhões de euros em Portugal para os próximos três anos. O grosso deste valor será dedicado à modernização das redes de distribuição, mas a sua execução vai depender da manutenção do ambiente fiscal e, sobretudo, da remuneração para estes ativos que for fixada ao nível regulatório.

O número foi revelado esta quinta-feira durante a apresentação do plano de negócios para 2028, o qual prevê um investimento bruto de 12,5 mil milhões de euros durante esse período. Para além de Portugal e Espanha, a EDP e a EDP Renováveis vão focar os projetos nos mercados onde já têm uma presença forte, como o Brasil e sobretudo os Estados Unidos.

EDP trava investimento nas renováveis (com exceção dos EUA) e volta a colocar Portugal no centro com modernização das redes

Miguel Stilwell de Andrade assume que este reforço em Portugal é também uma resposta da empresa aos incentivos positivos recebidos do poder político e regulatório. E destaca sobretudo a isenção dos investimentos em redes do pagamento da contribuição extraordinária (CESE) sobre o setor energético que “indiscutivelmente contribuiu. Quando tomamos essa decisão de investir olhamos para o retorno.”

Outra medida considerada positiva com impacto nos resultados é a redução em mais um ponto percentual do IRC a partir de 2026.

Exigência fiscal de 335 milhões por venda de barragens. EDP está “tranquila” e não vê necessidade de criar provisão para pagar

O contexto fiscal e regulatório “melhorou” e isso é um “incentivo” ao investimento das empresas. “Se criarem mais condições, faremos mais investimentos”. Questionado sobre se a eventual cobrança de imposto alegadamente em falta na venda das barragens — no valor de 335 milhões de euros — poderia travar os planos para investir em Portugal, Miguel Stilwell de Andrade optou por uma resposta genérica: “Se mudarem as condições podemos ajustar o investimento, mas tentamos manter alguma coerência”.

O CEO da EDP lembrou ainda, em conferência de imprensa a propósito da apresentação do plano estratégico, que o investimento na renovação das redes vai tocar todos os concelhos do país, não vai estar concentrado, o que exige uma grande mobilização de meios e para isso “precisamos de estabilidade”. Não só nos impostos, mas também na regulação, tema no qual o gestor fez questão de deixar um recado à ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços de Energia).

A taxa de remuneração proposta nas tarifas para 2026 para os ativos de distribuição — 6,33% — está “aquém” das melhores práticas internacionais e da expectativa da EDP. A empresa, argumenta, tem alguns contributos a dar à ERSE em matéria de metodologia e está confiante de que na decisão final sobre as tarifas, conhecida a dezembro, o regulador lhe vai dar razão.

A clarificação do ambiente fiscal e regulatório nos Estados Unidos para as renováveis, após o primeiro choque com a chegada de Trump ao poder, justifica também a aceleração dos projetos para este mercado que deverá receber 6o% dos 7,5 mil milhões de euros de investimento bruto da EDP Renováveis até 2028.

“Não é segredo que na primeira metade do ano houve turbulência e incerteza sobre os apoios fiscais às renováveis que chegaram a estar em causa. Mas em julho soube-se que estes apoios não só se mantêm, como foram prolongados até 2030”. Para Miguel Stilwell de Andrade “foi uma boa notícia que permite estabilidade a médio e longo prazo” porque a “principal incerteza desapareceu”.

A jornalista viajou a convite da EDP para Londres.