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O candidato a Presidente da República António Filipe afirmou esta sexta-feira que a sua candidatura “não é substituível”, que “vale por si” e recusa ponderar uma desistência a favor de qualquer outro concorrente às eleições presidenciais de janeiro. “As candidaturas valem por si, a minha candidatura vale por si, com os compromissos que assumo de compromisso com os trabalhadores, compromisso com os valores do 25 de Abril, da Constituição”, afirmou António Filipe, após uma reunião, em Vila Real, com a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD).
António Filipe disse ainda que, do seu ponto de vista, “não faz qualquer sentido” ponderar a “desistência a favor de qualquer outro candidato” porque a sua candidatura “não é substituível”. O antigo deputado do PCP reagia à pergunta dos jornalistas sobre se pondera desistir da sua candidatura, depois do também candidato presidencial Jorge Pinto ter admitido, em entrevista divulgada esta sexta-feira pela agência Lusa, desistir da corrida a Belém a favor de António José Seguro, desafiando-o a esclarecer o seu posicionamento ideológico, mas exigindo reciprocidade se a sua candidatura crescer. “Não pondero de maneira nenhuma qualquer desistência, se não não me tinha apresentado. Ou seja, quando me apresentei à candidatura, recebi muitos testemunhos, pessoas que disseram ‘bom, passei a ter um candidato em quem votar, até aqui não tinha’. E eu não ia provocar a essas pessoas a deceção de dizer, olha, afinal tinham candidato, mas deixaram de ter”, salientou António Filipe.
Questionado também sobre as declarações do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que considerou haver “candidatos a mais”, António Filipe disse que “é legítimo que as pessoas se candidatem” e que, depois, “os eleitores é que votam”. “Obviamente que, na primeira volta, os cidadãos vão escolher o candidato que entendam melhor, e aqueles que forem mais votados passam à segunda volta, e eu é nessa luta que estou, com a ambição de poder passar à segunda volta”, frisou.
O candidato apoiado pelo PCP disse que, nesta corrida às eleições de 18 de janeiro, se dirige a todos os cidadãos, mas assume-se como “obviamente” de esquerda e salientou que é um candidato que “não esconde” a sua origem politica e as suas convicções políticas”. António Filipe disse ainda entender que está em condições de ser um “candidato agregador” e lembrou a sua “vida política já longa” em que demonstrou a capacidade, mesmo no exercício de cargos no âmbito da Assembleia da República, de “isenção e independência”.
“Fui 12 anos vice-presidente da Assembleia da República e dirigi os trabalhos muitas horas sem que isso tivesse suscitado qualquer reparo de qualquer força política. Portanto, a minha isenção no exercício desse cargo nunca foi posta em causa. E eu entendo que isso é importante também para quem exerce as funções de Presidente da República”, apontou.
“Pactos não resolvem nada”
Desafiado a comentar o pacto para a saúde proposto pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato apoiado pelo PCP disse que assistiu ao longo da sua vida a anúncios de “dezenas de pactos, para a justiça, para a saúde, pactos de regime para isto, pactos de regime para aquilo”. “E depois não vemos nada”, sustentou. “Pactos não resolvem nada. O que resolve é haver uma política de investimento no serviço público, neste caso no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, disse, defendendo que a estratégia “permita que haja retenção e atração de profissionais”.
Disse ainda que o “SNS não é um exemplo negativo” para o país, mas “um grande valor que o povo português tem”, no entanto reconheceu estar “muito preocupado” “com uma política de saúde que nos últimos anos tem vindo a permitir a degradação do Serviço Nacional de Saúde”, mas salientou que “há exemplos positivos”.
Questionado sobre o desafio deixado pelo também candidato presidencial André Ventura para um debate sobre a saúde, António Filipe afirmou estar “muito pouco interessado no que diz” o também líder do Chega. “Interesso-me mais com os problemas reais do país e não propriamente, não estou muito interessado em promover o candidato André Ventura. Eu sei que é esse o seu objetivo, mas não contará comigo para isso”, afirmou.
António Filipe disse esperar, no entanto, que nos debates entre os candidatos à Presidência da República, que a saúde seja uma “questão central”, tal como a questão do trabalho. “Eu creio que aquilo que interessa é que nestas eleições discutam os problemas que preocupam as pessoas. E, obviamente, que a saúde é um deles, e muito importante. Eu acho que a questão do trabalho, que está em cima da mesa, de alteração da legislação laboral é profundamente lesivas dos trabalhadores”, frisou.
O candidato adiantou ainda que pretende marcar presença na manifestação promovida pela CGTP para sábado. Ainda sobre a saúde, considerou que regressar ao modelo de Parceria Público-Privada (PPP) “é um retrocesso em matéria de acesso a cuidados de saúde” e que se “o Governo for por aí” acha que “vai mal”.
Sobre o curso de Medicina aprovado esta semana para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), numa parceria com a ULSTMAD, disse que “é uma boa notícia” para esta região e o país. “Eu acho que o problema que nós temos foi que houve atrasos muito grandes relativamente à formação na área da Medicina, com mais profissionais a saírem, por se reformar, do que estudantes a concluir os seus cursos de Medicina para poderem reforçar os quadros do SNS”, referiu ainda.
Depois de Vila Real, António Filipe seguiu para uma reunião com a direção da Casa do Douro, no Peso da Régua, também no distrito de Vila Real, para se inteirar dos problemas que afetam esta associação e os viticultores durienses.