A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) tem vários inspetores a investigar, nos hospitais de norte a sul do país, se há mais casos como o do médico do Santa Maria Miguel Alpalhão, que recebeu mais de 700 mil euros em dois anos por cirurgias adicionais naquele hospital, num caso que acabou por ser enviado para o Ministério Público. A notícia é avançada pela CNN Portugal, que cita a própria IGAS.

Esta operação está a ser feita com quatro “inspetores da equipa multidisciplinar para os serviços de auditoria” e teve início a 8 de setembro. O objetivo é apurar se os profissionais de saúde e os próprios hospitais estão a cumprir as regras quando fazem cirurgias pagas à parte – na prática, querem perceber se essas cirurgias extra não prejudicam a produção do dia a dia e se há irregularidades na forma como os médicos codificam as operações pelas quais o Estado lhes paga à parte. Os hospitais também vão ser analisados para perceber se têm mecanismos de controlo adequados.

Dermatologista codificou as suas próprias cirurgias em Santa Maria mais de 350 vezes

Desde 2022 até março foram gastos mais de 600 milhões de euros nestas cirurgias adicionais, havendo mesmo hospitais em que os médicos fazem mais cirurgias fora do horário do que no tempo de trabalho normal. Esse é, segundo a informação da CNN Portugal, o caso do Hospital Amadora-Sintra, o de Castelo Branco e o de Trás-os-Montes.

A investigação será feita com mais atenção em 39 unidades locais de saúde (ULS) e nos três IPO. Mas foi dada prioridade a dez estabelecimentos, onde o risco de irregularidades parece ser mais provável. Inspetores estão a analisar todas as cirurgias feitas inclui o IPO do Porto e nove ULS: Amadora-Sintra, Braga, Castelo Branco, Gaia, Loures, Santa Maria, Santo António, São João e Trás-os-Montes.

Cirurgias adicionais. Peritos do Santa Maria identificaram neoplasias benignas pagas como malignas