Os refugiados que entrarem ilegalmente no Reino Unido terão de esperar 20 anos até se qualificarem para obter um visto permanente de residência, anunciou a Secretária de Estado da Administração Interna. Até agora, o tempo de espera era de apenas cinco anos.

Shabana Mahmood revelou estas alterações perante os deputados num debate no parlamento britânico. “400 mil pessoas procuraram asilo nos últimos quatro anos. Mais de 100 mil vivem agora em asilo e mais de metade dos refugiados permanece com benefícios oito anos depois da chegada”, disse. “Para os britânicos que pagam a fatura, o sistema parece injusto e descontrolado. Parece porque é”.

O Governo também reiterou que o controlo nas fronteiras não vai “tirar objetos sentimentais e joias” a quem procura asilo. O esclarecimento aconteceu depois de ter surgido o rumor de que poderiam ser apreendidos bens na posse destas pessoas para pagar a dívida pelo custo de alimentá-los e mantê-los numa casa.

Ainda assim, garantiram que aqueles que procuram asilo e têm dinheiro suficiente para pagar as suas despesas, deverão contribuir para os custos de mantê-los no Reino Unido durante esse período. “É correto que se as pessoas tiveram dinheiro nas suas contas, elas contribuam para os custos”, disse um porta-voz.

As várias medidas foram tornadas públicas num documento revelado pouco antes de serem anunciadas aos restantes deputados no parlamento, o que motivou críticas. “Membros honrados do governo foram muito rápidos a criticar ministros do último governo por este tipo de comportamento. Mas a Administração Interna parece ter um problema particular com fazer revelações à comunicação antes de os ministros virem falar ao parlamento”, repreendeu a conservadora Caroline Nokes.

Entre as novas medidas destacadas pela imprensa britânica estão:

  • o aumento do número de famílias deportadas: o documento diz que a “hesitação” em deportar famílias pode levar a “incentivos particularmente perversos”, como pessoas a arriscar a entrada com filhos no Reino Unido de forma ilegal para tornar mais complicada a sua deportação. Assim, descreve a Sky News, mais famílias serão deportadas, mas as crianças nunca serão separadas dos pais neste processo;
  • alteração do estatuto de refugiados: o governo entende que, de momento, conceder o estatuto de refugiado é, “essencialmente estar habilitado a viver no país para sempre”. Dizem que isto deve ser alterado, nomeadamente com o aumento do período de espera para 20 anos; o período de permanência inicial de refugiados também será encurtado de cinco anos para 30 meses;
  • apoio financeiro não será garantido: atualmente, o governo tem a obrigação de garantir apoio financeiro aos refugiados, mas o documento diz que este direito será removido e que quem procura asilo e não trabalha, tendo condições para fazê-lo, também não será apoiado;
  • criação de um novo organismo: o governo quer criar um novo organismo de forma a acelerar a análise dos pedidos de asilo — no Reino Unido, há milhares de casos que ficam sem resposta todos os meses. O novo organismo prevê poupar dinheiro aos contribuintes, com decisões mais rápidas.