O Presidente dos Estados Unidos afirmou que está disposto a assinar a proposta de lei que obriga o Departamento de Justiça a divulgar todos os ficheiros relacionados com Jeffrey Epstein, caso o diploma seja aprovado e chegue ao seu gabinete, noticiou a imprensa norte-americana, como o New York Times e o Washington Post.

Durante uma conferência de imprensa, Donald Trump garantiu na segunda-feira estar “totalmente a favor” da divulgação, apesar de alegar que a controvérsia tem servido para desviar a atenção dos sucessos da sua administração. “Claro que assinaria. Que o Senado veja, que qualquer pessoa veja. Mas não falem demasiado sobre isto porque, sinceramente, não quero que nos tire protagonismo. Isto é realmente um problema dos democratas“, disse.

A mudança de posição do líder da Casa Branca surge após semanas de pressão dentro do Partido Republicano e depois de relatos de que Trump teria tentado persuadir a congressista Lauren Boebert a não apoiar o pedido de desarquivamento para forçar uma votação em plenário.

O deputado republicano Thomas Massie, coautor da proposta, afirmou acreditar que mais de 100 republicanos poderão votar a favor da divulgação e saudou, na rede social X, a abertura demonstrada por Trump para “libertar os arquivos de Epstein”.

Espera-se que a Câmara dos Representantes aprove a proposta esta terça-feira, mas o futuro do diploma no Senado permanece incerto. O líder da Câmara, Mike Johnson, apesar de antecipar um “voto expressivo” a favor da proposta, mantém reservas quanto às garantias de proteção das vítimas, afirmando temer que os seus nomes possam ser divulgados. Johnson assegurou que Trump “não tem nada a esconder” e defendeu que ambos querem “transparência máxima”.

Por seu turno, o líder da maioria republicana, John Thune, ainda não se comprometeu a agendar uma votação, enquanto o senador John Barrasso afirmou que o Senado “vai analisar” o que sair da Câmara, sublinhando que Epstein era um agressor sexual condenado e que morreu na prisão e lembrando que Trump o expulsou de Mar-a-Lago há mais de duas décadas.

Trump terá passado “várias horas” com uma vítima de Jeffrey Epstein, segundo e-mail revelado por democratas. Casa Branca fala em “fraude”

O debate sobre este caso intensificou-se após o Departamento de Justiça e o FBI terem pedido, no verão, para tornar públicas as audições do grande júri no âmbito do caso criminal de Ghislaine Maxwell, companheira e cúmplice de Jeffrey Epstein. Já na semana passada, democratas da Câmara dos Representantes revelaram e-mails em que Epstein afirma que Donald Trump passou “várias horas” na sua casa com uma das vítimas de tráfico sexual.