As autarquias de Alcácer do Sal e de Grândola renovaram a oposição à instalação de uma mina de cobre e zinco numa área que abrange os dois concelhos. Isto apesar do promotor da mina da Lagoa Salgada ter eliminado o processo de lixiviação e fundição de ouro e prata, deixando cair o uso de cianeto de potássio, uma substância tóxica.
Numa posição assumida esta quinta-feira, o município de Alcácer volta a alertar para os impactos negativos no território, “nomeadamente no aquífero, porque continua a não estar salvaguardada a sua proteção”. A autarca Clarisse Campos considera que se mantém “o risco de contaminação dessas águas subterrâneas que alimentam uma grande parte da nossa população”, segundo um comunicado emitido. Até porque o processo de extração e processamento de minério continuará a usar substâncias perigosas.
A Câmara de Grândola também manifesta a sua total discordância ao projeto de exploração mineira da Lagoa Salgada.
A autarquia, agora por liderada por Luís Vital Alexandre, quer corrigir o “enorme erro que o Executivo anterior cometeu ao não apresentar o parecer que lhe foi solicitado sobre o reconhecimento do interesse nacional do projeto”. Neste sentido, reuniu com a AICEP Portugal Global, a entidade responsável pelo estatuto PIN (Potencial Interesse Nacional), e formalizou, por escrito, um pedido de reavaliação do reconhecimento do estatuto de potencial interesse nacional à Mina da Lagoa Salgada. E pediu uma audiência com carácter de urgência à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
Os serviços da autarquia estão a preparar um “parecer rigoroso e fundamentado que reflita as preocupações do município face ao projeto da Mina da Lagoa Salgada” na consulta pública que está a terminar. Mas a câmara lembra a decisão de chumbo do projeto inicial que “evidencia dados muito preocupantes” pelo que “é urgente que o Governo e o Parlamento se possam envolver neste assunto, com frontalidade”.
O projeto da mina da Lagoa Salgada foi reformulado depois de um primeiro chumbo ambiental, tendo alterado o processo de lixiviação de minério que é usado para recuperar metais preciosos e proposto uma solução que permite valorizar um outro tipo de metal, o vanádio, muito procurado no setor da energia. O proponente é uma empresa canadiana, a RedCorp, que se propõe investir quase 200 milhões de euros.
No parecer que entregou na consulta pública, a autarquia de Alcácer do Sal defende que as medidas compensatórias dos efeitos expectáveis em termos de redução das emissões de gases não são suficientes, “pois o abate de árvores centenárias não é compensável com a instalação de árvores jovens, que podem não sobreviver”. Considera-se que “o abate de 2331 exemplares de sobreiros será uma perda irrecuperável para o ecossistema, e para a paisagem, não substituível por áreas de plantação de novos exemplares”.
Sobre os efeitos positivos para o emprego, o município assinala que estes só podem ser valorizados se o projeto não provocar a perda de outros empregos já existentes e questiona o curto tempo de vida da mina, 11 anos.
O concelho de Alcácer do Sal é abrangido por cinco mil dos 10.700 hectares da área referente ao contrato de prospeção e pesquisa.