Não há, “para já”, notícia de cidadãos portugueses em perigo na Guiné-Bissau, garante Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros. Em declarações aos jornalistas, Paulo Rangel recusa fazer “especulações” ou “interpretações” sobre o que se está a passar no país – se é um verdadeiro golpe de Estado ou uma encenação – mas apela aos militares que exerçam “contenção no uso da força”, tanto contra responsáveis políticos como contra a população em geral.

“Apelo, dado que há bastantes movimentações militares, ou houve ontem, que não se use violência relativamente a políticos ou relativamente à população”, afirma Paulo Rangel, nesta quinta-feira, acrescentando que “é fundamental” que haja “contenção no uso da força, incluindo nas detenções ou prisões que terão tido lugar”.

A nossa embaixada está em contacto com a comunidade portuguesa, que ronda os 770 portugueses, porventura mais 50 que estão transitoriamente. A comunidade está perfeitamente calma, está a ser informada sobre a atualização que se pode fazer. Não temos nenhuma situação merecedora de nota, até agora”, afirma o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Sobre as circunstâncias que estão na base da instabilidade atual, o “Governo português não faz interpretações”, asseverou o ministro. “O Governo apenas verifica que há uma falta de regularidade no funcionamento institucional, que houve uma quebra feita pela força e faz um apelo, a par de outros países amigos da Guiné-Bissau e organizações internacionais, no sentido de se voltar à normalidade”, explica.

“Não vamos fazer especulações, nem interpretações, nem comentários”, repete. “Basta dizer que há uma quebra do regular funcionamento das instituições e fazer um apelo a que as autoridades militares que neste momento têm, de facto, o controlo da situação política e social na Guiné para que possam devolver às instituições o pleno e regular funcionamento”, atira o ministro dos Negócios Estrangeiros.

O esquema com “o barão da droga” e “manipulação” das eleições. “Encenação” ou golpe de Estado: o que se passa na Guiné-Bissau?