O dirigente Jorge Costa faz dois tipos de diagnósticos sobre o que tem corrido mal: por um lado, e num ciclo cheio de eleições, o partido não foi capaz de “criar uma nova cultura interna, mais inclusiva, mais participativa”; por outro, o partido ainda sofre com a associação ao PS, mesmo que já não tenha participado nos últimos anos de governação: “O que ficou na memória da consciência popular foram os anos finais da governação do PS em maioria absoluta”.
Em entrevista ao Observador a partir da XIV Convenção do Bloco de Esquerda, Jorge Costa reconhece que, apesar de o BE ter sido “coerente”, fazendo exigências ao PS, não foi capaz de fazer com que essas razões — que acabaram por levar ao fim do acordo — fossem bem compreendidas, explica. E assim o Bloco “ficou associado” à governação do PS, mesmo quando já não tinha a ver com ela.
Quanto ao crescimento do Livre, esse não altera que a esquerda como um todo tenha encolhido, sublinha o bloquista, lembrando que BE, PCP e Livre ultrapassavam os 20% ainda há poucos anos e agora não chegam aos 10%, lembra: “Este espaço perdeu-se, como consequência do processo daqueles anos”.
Outra diferença: o Livre trabalha sempre “na perspetiva da aliança com o PS”. “Essa diferença é real. O BE nunca mudou essa característica. Foi por isso que estivemos contra o Governo Sócrates e fomos capazes de fazer o acordo em 2015, e por isso que o rompemos em 2021”.
Quanto a Mariana Mortágua, não há culpas individuais: “A Mariana teve um desempenho excelente, fez jus ao que era a sua marca” nas comissões de inquérito e mostrou “perante uma ofensiva brutal e personalizada” uma firmeza muito grande também confirmada na viagem da flotilha, defende, acrescentando mesmo que essa será até a marca maior da sua liderança. “É um momento histórico em que a Mariana foi marcante.
Agora, o momento mais importante do combate político será a greve geral, avisa — até porque a agenda para os próximos anos será de construção de maiorias sociais e de convergência com outras forças de esquerda.