Em entrevista ao Observador a partir da XIV Convenção do Bloco de Esquerda, José Soeiro admite que as propostas do Bloco de Esquerda na última campanha “não foram formuladas de forma a que resultassem” — “a nossa estratégia não resultou” — e vê na greve geral uma oportunidade para que o Bloco se aproxime mais dos trabalhadores.

“A greve geral é uma oportunidade para juntar forças”, ter o “pé no chão” e “disputar à extrema-direita o apoio popular”, defende. E frisa que é preciso também envolver os trabalhadores imigrantes nesse processo.

Soeiro acrescenta que a situação do BE não existe num “vazio social”, chamando a atenção para o recuo de toda a esquerda. Mas na campanha, especifica, houve erros no modo como o Bloco afunilou os seus temas (habitação ou justiça social, por exemplo) em propostas específicas e como se formularam (“taxar os ricos”, por exemplo) podem ter “induzido confusão” — por exemplo, sobre “o que é o rico”. O controlo das rendas, por exemplo, tem de ser somado a um conjunto vasto de medidas.

Já Pureza tem o “perfil indicado” para a liderança, sendo “conhecido por todos como uma pessoa de enorme capacidade de escuta, de agregação”, e essa é uma das necessidades do Bloco: “Refazer o elo que temos com as pessoas, o elo emocional que temos com as pessoas, e também do ponto de vista interno — vícios de centralização excessiva”, exemplifica. “Não podemos dizer que é preciso processos de convergência, em processos unitários, e internamente não fazermos esse esforço”.