A Câmara dos Representantes norte-americana divulgou esta quarta-feira imagens nunca antes vistas que revelam detalhes de uma das duas ilhas privadas de Jeffrey Epstein nas Caraíbas, Little Saint James. Nas 10 fotografias e nos quatro vídeos é possível ver a extensão da propriedade do acusado de crimes sexuais que se suicidou em 2019 na prisão, incluindo quartos, casas de banho, uma sauna e uma sala com máscaras nas paredes, além do telefone com contactos e um quadro de ardósia com nomes e palavras como “poder” e “deceção”.
As imagens mostram detalhes da casa onde Epstein recebia amigos e onde terão ocorrido alguns dos crimes dos quais foi acusado, mas não revelam nada novo. As duas fotografias que poderiam trazer pistas sobre outros envolvidos no caso têm nomes ocultados. É o caso, por exemplo, de uma imagem de um telefone que traz números como “escritório NY”, “escritório Darren” e “telemóvel Darren”, que provavelmente se referem ao advogado Darren Indyke. Mas tem também outros contactos, que estão entretanto cobertos por tarjas. Já uma fotografia de uma ardósia posicionada diante de poltronas num dos salões da casa revela palavras misturadas com outras suprimidas. Do que é possível ler, estão termos como: “poder”, “deceção”, “espelho no rosto”, “tempo”, “intelectual”, “político”, “música”, “verdade” e “aparece!”.
▲ O telefone e a ardósia são os dois elementos que mais podem revelar entre as imagens divulgadas -- entretanto os nomes foram ocultados
As outras fotografias mostram os arredores da casa, como uma placa que avisa ser “proibido ultrapassar”, dois quartos, uma casa de banho com poltronas, uma sala que parece ser uma sauna e outra com uma cadeira de dentista, com máscaras de rostos de homens penduradas nas paredes. Já os vídeos revelam os arredores da propriedade, como a piscina e o mar que cerca a mansão, além da estátua de bronze que já havia aparecido em outras fotografias da ilha. Noutro vídeo, vê-se ao pormenor um dos quartos, enquanto noutras imagens é possível ver uma pequena casa de banho.
Não há informações sobre em que contexto os vídeos e fotografias foram feitos. As imagens foram fornecidas à câmara pelo departamento de Justiça das ilhas Virgens norte-americanas, na sequência do pedido para a divulgação de todos os ficheiros do caso Epstein, a 18 de novembro. De acordo com o democrata Robert Garcia, em comunicado, “as imagens dão uma visão perturbadora do mundo de Epstein e da sua ilha” e estão a ser divulgadas para “garantir a transparência pública” na investigação e para “dar o quadro completo dos crimes horríveis de Epstein”. O comunicado diz ainda que a câmara recebeu os registos da JP Morgan e do Deutsche Bank, e que “pretendem divulgar os ficheiros ao público depois de uma revisão, nos próximos dias”. Os documentos podem provar que os bancos apoiaram a atividade criminosa de Epstein.
De recordar que terá sido nesta propriedade que Virginia Giuffre terá sido abusada sexualmente por André Mountbatten-Windsor em 2000. Num depoimento apresentado em tribunal em 2015, a mulher já havia falado sobre este encontro, que classifica como uma “orgia”, mas no livro de memórias publicado em outubro dá mais detalhes. “Epstein, Andy, aproximadamente oito outras jovens raparigas e eu tivemos sexo. As outras pareciam ser menores de 18 anos e não falavam inglês. Epstein ria sobre como elas não conseguiam comunicar, dizendo que estas eram as raparigas mais fáceis de conviver”.
O registo de voo do jato privado de Epstein de 4 de julho de 2001 diz que voaram de Little Saint James na costa de Saint Thomas, até Palm Beach Epstein, uma mulher, a própria Virginia e um homem descrito como AP, o qual o piloto afirmou em tribunal ser um código para o ex-príncipe. Outras provas recentes divulgadas nos ficheiros revelados no final de setembro pelos congressistas democratas do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes norte-americana mostram que André voou no jato de Epstein em dezembro de 2000 e o milionário anotou na própria agenda um pagamento de uma “massagem a André”.
Entretanto, há evidências que outras figuras públicas também poderão ter estado na ilha. Em documentos divulgados em setembro, o nome de Elon Musk aparece numa anotação na agenda de Epstein como um possível visitante. Epstein comprou a ilha de Little Saint James em 1998 e outra, Great Saint James, em 2016. As duas propriedades foram vendidas em 2023 por 60 milhões de dólares.