As duas ilhas caribenhas que foram detidas por Jeffrey Epstein – o milionário norte-americano acusado de construir um esquema de tráfico sexual e abuso de menores, e que morreu em 2019 – foram vendidas por 60 milhões de dólares (cerca de 54 milhões de euros), menos de metade do valor que estava a ser pedido (125 milhões de dólares, 113 milhões de euros). O comprador é o multimilionário e investidor Stephen Deckoff, que planeia construir um resort de luxo.
Segundo o Financial Times, Stephen Deckoff, fundador da empresa de investimento Black Diamond Capital Management, vai converter a propriedade — não foi especificada de que ilha — num hotel com 25 quartos, que deverá abrir em 2025. Epstein detinha duas ilhas — uma mais pequena, a Little St James, que foi adquirida pelo milionário em 1998, e que tem um heliporto, moradias para hóspedes e outras comodidades, e onde terão ocorrido os alegados abusos sexuais; e outra, maior, a Great St James, que só foi comprada em 2016 e que está menos desenvolvida.
Ilhas privadas de Jeffrey Epstein à venda por 113 milhões de euros
Em comunicado, Deckoff diz querer criar um destino condizente com a “graça natural e a beleza” da região. Mas não mencionou os episódios que terão acontecido numa das ilhas, onde Jeffrey Epstein organizava festas e onde terão sido abusadas sexualmente raparigas menores de idade. Uma rapariga, de 15 anos, terá mesmo tentado fugir a nado mas foi impedida por Epstein e outros envolvidos e viu o seu passaporte confiscado, de acordo com registos judiciais citados pelo Financial Times.
Segundo o jornal, o portefólio imobiliário de Epstein incluía ainda uma propriedade em Palm Beach, a maior moradia em Manhattan e um rancho no Novo México. Os imóveis nas Ilhas Virgens Americanas foram colocados à venda há pouco mais de um ano e parte do dinheiro vai ser usado para compensar as vítimas e para outros processos judiciais.
Epstein morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Quando morreu, as suas propriedades estavam avaliadas em cerca de 600 milhões de dólares (542 milhões de euros), escreve o The New York Times, tendo desvalorizado para 159 milhões de dólares (143 milhões de euros) após a morte.
O comprador das duas ilhas, Stephen Deckoff, já vive nas Ilhas Virgens Americanas. De acordo com o The New York Times, uma das entidades afiliadas da Black Diamond consta numa lista de beneficiários de um incentivo fiscal destinado a estimular o desenvolvimento das Ilhas Virgens Americanas, de que beneficiaram duas empresas de Epstein, quando estavam em atividade.