A partilha de informações sobre um ataque norte-americano ao Iémen num grupo do Signal pelo Secretário da Defesa, Pete Hegseth, violou as normas do Exército dos EUA e pôs tropas em risco, segundo o inspetor-geral do Departamento de Defesa. Estas conclusões estão presentes no relatório do inspetor da investigação que durou mais de oito meses e que terá sido concluída na terça-feira, segundo duas fontes que tiveram acesso ao documento citadas pela NBC.

A conversa foi revelada em março e envolvia também o vice-presidente JD Vance, o então conselheiro de segurança nacional Mike Waltz e, de forma acidental, o diretor da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, que revelou todas as mensagens em que Hegseth partilhou os detalhes sobre um ataque a posições dos houthis no Iémen, indicando até quando é que as bombas iam cair.

“A administração Trump enviou-me sem querer os seus planos de guerra por mensagem”. Leia o artigo da Atlantic que expôs a conversa no Signal

Ente as conclusões da investigação ao uso do Signal, lê-se que as informações partilhadas num chat de grupo podiam ter “posto em perigo tropas americanas caso tivessem sido intercetadas por um adversário estrangeiro”, avançaram as fontes consultadas pela NBC. O relatório indica ainda que Hegseth violou as normas das forças norte-americanas ao usar o seu telemóvel pessoal para partilhar e transmitir informações de trabalho.

Todas as informações partilhadas pelo secretário da Defesa, concluiu o inspetor-geral, tinham sido classificadas pelo Comando Central das forças armadas dos EUA antes da divulgação no grupo.

Apesar de ter recusado ser interrogado pelo inspetor, Hegseth entregou uma declaração assegurando que agiu dentro dos seus poderes. Porém, no relatório, não há qualquer menção sobre se tomou os passos certos para o fazer, noticiou a AP.

Num comunicado citado pela CNN, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que a avaliação do inspetor-geral é uma absolvição TOTAL do Secretário Hegseth” e que “prova” o que sempre se soube: “Nenhuma informação confidencial foi partilhada. Este assunto está resolvido e o caso está encerrado”.

Já a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, sublinhou que nada do que foi divulgado era “informação classificada” e que a “segurança operacional não foi comprometida”. “O Presidente Trump apoia o secretário Hegseth”, disse ainda.

O documento classificado foi enviado pelo inspetor-geral ao Congresso na terça-feira. Só na quinta-feira é que o relatório será desclassificado e revelado publicamente.