O Exército tailandês lançou na segunda-feira ataques aéreos na fronteira com o Camboja, depois da morte de um soldado por tiros supostamente vindos do lado cambojano, num quadro de reacendimento dos confrontos armados entre os dois países, que provocou pelo menos oito civis cambojanos mortos, informou esta terça-feira o ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra.
O representante de Phnom Penh acrescentou, numa mensagem de texto enviada à agência de notícias EFE, que outros doze civis ficaram feridos.
Os combates começaram no domingo e intensificaram-se na segunda-feira em vários pontos da fronteira de cerca de 820 quilómetros que os dois países partilham, enquanto os governos trocam acusações sobre quem iniciou os confrontos.
A Tailândia, que na segunda-feira informou sobre a morte de um soldado e sete feridos, admitiu ter atacado por via aérea alvos que descreveu como militares no Camboja, em “resposta às operações militares cambojanas”.
“A situação na zona continua mergulhada em combates”, informou esta terça-feira num comunicado a segunda divisão do Exército tailandês, que tem várias zonas sob a sua responsabilidade afetadas pelo conflito.
O Exército tailandês disse também esta terça-feira que o Camboja destacou para perto da fronteira baterias de lança-foguetes BM-21, semelhantes às utilizadas no conflito armado registado em julho passado, que fez quase cinquenta mortos.
De acordo com os dados publicados esta terça-feira pelo Exército tailandês, quase 440.000 pessoas foram retiradas de cinco — de um total de sete — províncias que fazem fronteira com o Camboja.
Por sua vez, o Ministério da Defesa do Camboja também confirmou esta terça-feira que os confrontos continuam em várias regiões do seu território.
As Forças Armadas tailandesas, que também relatam a existência de quatro militares feridos nos confrontos, confirmaram em comunicado as operações aéreas, esclarecendo que se trata de “uma resposta às operações militares cambojanas”, enquanto Phnom Penh nega ter iniciado os disparos.
Banguecoque garante que atacou “apenas infraestruturas militares, depósitos de armas, centros de comando e rotas de apoio ao combate” associadas a atividades consideradas como uma ameaça à segurança nacional tailandesa.
O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, disse que o seu país vai lançar operações militares na fronteira com o Camboja “sempre que necessário”. “Hoje [segunda-feira], realizou-se uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, na qual foi aprovada uma resolução que confirma que o governo irá realizar operações militares sempre que necessário, dependendo da situação, assim como qualquer outra ação considerada essencial”, disse Anutin em conferência de imprensa.
Embora o Camboja afirme que não disparou, apesar das “numerosas provocações” da Tailândia, Anutin reiterou que o seu país “nunca desejou a violência nem iniciou a agressão”, mas acrescentou que “não tolerará violações da sua soberania e responderá com razão, cautela e paz”.
“O governo está pronto para implementar todas as medidas necessárias para manter a segurança nacional, a soberania e a integridade territorial”, sublinhou. O Camboja, por sua vez, acusa a Tailândia de atacar bairros e incendiar casas de civis.
O porta-voz do Exército tailandês, Winthai Suvaree confirmou, por seu lado, numa comunicação televisiva, que sete pessoas ficaram feridas no país em ataques que atribuiu a soldados cambojanos, e indicou que este número pode aumentar “à medida que os relatórios forem atualizados”.
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Relatórios militares dão conta de numerosos confrontos nas últimas 24 horas em vários pontos dos quase 820 quilómetros de fronteira, onde ambos os governos começaram a retirar civis e a mobilizar pessoal e material de defesa. Os atuais confrontos romperam o acordo de paz assinado pela Tailândia e pelo Camboja em outubro passado na Malásia, com a mediação do Presidente dos EUA, Donald Trump.
Em meados de novembro, Anutin suspendeu temporariamente o acordo de paz após trocas de tiros na fronteira, na sequência de um incidente com uma mina terrestre. Banguecoque e Phnom Penh mantêm uma longa disputa territorial sobre a soberania de partes da sua fronteira comum, cartografada pela França em 1907, quando o Camboja era uma colónia francesa.