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▲Imagem do ataque do Camboja a bomba de gasolina perto da fronteira com a Tailândia

Anadolu via Getty Images

▲Imagem do ataque do Camboja a bomba de gasolina perto da fronteira com a Tailândia

Anadolu via Getty Images

Dezenas de mortos, caças e um templo sagrado. Oito respostas para entender os confrontos entre os rivais Camboja e Tailândia

Camboja e Tailândia acusam-se mutualmente de terem aberto fogo e de terem começado uma nova fase dos confrontos. Oito perguntas para entender o que se passa entre dois rivais no Sudeste Asiático.

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Um acordo polémico, disputas territoriais e um templo sagrado. O Camboja e a Tailândia são considerados rivais há décadas no Sudeste Asiático e envolveram-se em confrontos esta quinta-feira. Para os entender, há que recuar a 1907, quando a monarquia de Sião (a antiga designação de Tailândia) assinou um acordo com França que estipulava as fronteiras entre o país e o que hoje corresponde ao Camboja, cujos territórios foram controlados pelos franceses até 1953. A forma como os dirigentes políticos de então desenharam as limitações está na origem da recente escalada da tensão, que já causou dezenas de mortos.

Na origem da tensão entre Camboja e a Tailândia estão vários templos hindus com importante significado religioso. Um deles é o Prasat Ta Moan Thom e outro é o de Preah Vihear, dedicado ao Deus Shiva. Ambos estão localizados perto da fronteira entre os dois países e existem desentendimentos sobre a que país pertencem, gerados pelo acordo assinado em 1907. Em 2011, os dois Estados do Sudeste Asiático já se tinham envolvido em confrontos perto dos espaços religiosos, que resultaram em cerca de 20 vítimas mortais e no deslocamento de dezenas de milhares que vivem perto da fronteira.

14 anos depois, a tensão volta agora a escalar entre os dois países. Desde maio deste ano, quando um soldado do Camboja morreu na sequência de uma escaramuça perto da fronteira, as relações pioraram substancialmente. Os dois Estados do Sudeste Asiático aumentaram a presença militar perto dos postos fronteiriços, convocaram diplomatas para prestar esclarecimentos e suspenderam parcialmente as trocas comerciais entre si. Esta quinta-feira de madrugada houve ataques sem precedentes de parte a parte.

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▲ Mapa que mostra os locais da tensão na fronteira entre o Camboja e a Tailândia

AFP via Getty Images

O que desencadeou os confrontos militares?

Esta quarta-feira, um soldado tailandês perdeu uma perna após ter pisado uma mina terrestre durante uma patrulha de rotina em Chong An Ma. Mais quatro militares ficaram feridos. A Tailândia tem-se insurgido contra a instalação daqueles dispositivos perto da fronteira, até em territórios que reivindica como seus, acusando o Camboja de violar a Convenção de Otava, que proíbe o uso, o armazenamento, a produção e a transferência de minas terrestres antipessoais.

Inicialmente, na quarta-feira, a resposta foi apenas diplomática. A Tailândia expulsou os funcionários da embaixada do Camboja em Banguecoque, ao mesmo tempo que anunciou que retiraria o pessoal diplomático da capital do rival geopolítico, Phnom Penh. As autoridades cambojanas retaliaram com a mesma intensidade e diminuíram para o mínimo as relações diplomáticas com o adversário regional.

A Tailândia exigiu que o Camboja “assumisse responsabilidades pelo incidente” que feriu cinco soldados, argumentando que constituía uma “séria ameaça à paz e à estabilidade na região”. Por seu turno, as autoridades cambojanas recusaram as “acusações infundadas” tailandesas e indicaram que a explosão da mina ocorreu em território do país, sendo que tinha sido Banguecoque que violara um acordo sobre “o uso do caminho acordado para patrulhas”.

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▲ Polícia tailandesa vigia fronteira entre a Tailândia e Camboja

Anadolu via Getty Images

Os mais de 800 quilómetros de fronteira que os dois países partilham converteram-se num permanente foco de tensão nas últimas horas. Esta quinta-feira de madrugada, ouviram-se os primeiros disparos. Foi o rastilho para o início dos confrontos — mas há duas versões que se contradizem.

Como começaram os confrontos? A versão da Tailândia

Quem disparou primeiro? Os dois países dão versões diferentes e culpam o rival geopolítico. As autoridades tailandesas detalharam que, às 07h35 (às 01h35 em Lisboa), observaram um drone do Camboja num posto militar perto do templo Prasat Ta Moan Thom, construído no século XII. Pouco depois, vários soldados cambojanos chegaram perto da fronteira. A Tailândia garante que tentou encetar negociações, mas os adversários abriram fogo por volta das 8h30, hora local.

As autoridades tailandesas alegam também que os militares do Camboja usaram lança-granadas, sistemas de lança-foguetes — como o soviético BM-21 — e artilharia, em ataques que se espalharam por toda a fronteira. Adicionalmente, Banguecoque acusa os adversários de também causarem danos numa pequena localidade perto da fronteira. Em consequência destes ataques, a Tailândia assinalou que se viu obrigada a retaliar.

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▲ Soldados do Camboja colocam rockets no sistema lança-foguetes (foto a 24 de julho de 2025)

AFP via Getty Images

“Condenamos o uso de armas de fogo sem um alvo claro, fora de zonas de conflitos. O uso da força não está de acordo com o Direito Internacional”, afirmou o primeiro-ministro em funções, Phumtham Wechayachai. “Continuamos empenhados no uso de meios pacíficos e devia haver negociações, mas o que aconteceu foi uma provocação e nós tínhamos de nos defender.”

O porta-voz das Forças Armadas da Tailândia, Richa Suksuwanon, divulgou mais tarde que o país lançou ataques aéreos em território cambojano. Para bombardear o país vizinho, as autoridades tailandesas usaram seis caças F-16, que terão destruído dois alvos militares perto da fronteira. Foi a primeira vez que Banguecoque utilizou aquelas aeronaves na fronteira com o Camboja.

Como começaram os confrontos? A versão do Camboja

Por sua vez, o Camboja indica que foram os soldados tailandesas que começaram o conflito por volta das 6h30 (menos seis horas em Lisboa). As autoridades cambojanas dizem que os militares da Tailândia avançaram perto do templo Preah Vihear e colocaram arame farpado em volta de uma base militar que Banguecoque controlava nas redondezas.

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▲ Templo de Preah Vihear

POOL/AFP via Getty Images

O porta-voz do Ministério da Defesa Nacional cambojano, Maly Socheata, descreveu que os soldados tailandeses usaram um drone pouco depois das 7h00 (hora local) e começaram a disparar contra os militares cambojanos cerca de uma hora e meia depois perto de templo Preah Vihear e noutras partes da fronteira. As autoridades do Camboja salientaram que precisaram de responder ao ataque tailandês para exercer o que dizem ser um direito legítimo à autodefesa.

Em relação aos ataques com recurso aos caças F-16, o Camboja considerou-os uma “agressão militar irresponsável e brutal” contra a “soberania e integridade territorial” do país. Segundo a versão cambojana, os bombardeamentos atingiram uma estrada e não alvos militares.

[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

Qual é o último balanço de vítimas mortais?

O último balanço feito pelas autoridades tailandesas dá conta de pelo menos 11 civis mortos e um soldado, assim como 31 pessoas feridas — 24 civis e sete militares. A Tailândia denunciou que o Camboja atacou um bomba de gasolina e uma loja de conveniência em Kantharalak, o que causou seis vítimas mortais. Banguecoque também denunciou que os adversários dispararam dois rockets contra a cidade de Surin; além disso, o ministro da Saúde da Tailândia, Somsak Thepsuthin, acusou o Camboja de ter atacado um hospital, o que descreveu como um “crime de guerra”.

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▲ Loja de conveniência atacada pelo Camboja

Anadolu via Getty Images

Do lado do Camboja, as autoridades ainda não forneceram quaisquer dados sobre eventuais vítimas mortais ou feridos resultantes dos ataques da Tailândia. Os responsáveis cambojanos acusaram, no entanto, os soldados tailandeses de terem feito “estragos significativos” no templo de Preah Vihear, um “local sagrado cultural e de legado histórico para o povo cambojano”. “Foi um desastre cultural e uma tragédia”, num local religioso que foi considerado património material da Humanidade pela UNESCO em 2008.

Como começaram as tensões entre os dois países?

O Camboja declarou independência de França em 1953, deixando o estatuto de ser um protetorado francês. Para determinar as suas fronteiras, o país seguiu as linhas demarcadas em 1907 entre Banguecoque e Paris. Porém, a Tailândia demonstrou várias dúvidas sobre o que tinha ficado definido, principalmente em redor do templo Preah Vihear. Segundo o acordo, o local religioso sagrado estava em território cambojano, mas os tailandeses recusaram-se a aceitar o que estava no documento, indicando que tinham sido induzidos em erro por França.

Para resolver o diferendo, os países recorreram ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ). A instituição jurídica pertencente à ONU concluiu, em 1962, que o local religioso pertencia ao Camboja. “O Tribunal determinou que a Tailândia aceitou o acordo e que o templo estava localizado em território cambojano. Isso obriga a Tailândia a retirar as forças militares e policiais estacionadas [perto do templo] e a restaurar todos os objetos removidos das ruínas desde 1954”, lê-se na decisão judicial. 

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▲ Templo Preah Vihear com um inscrição que indica "perigo"

Getty Images

Apesar desta deliberação judicial, a Tailândia nunca aceitou plenamente que o templo pertencesse ao Camboja. Banguecoque ocupou as áreas adjacentes do local religioso, alegando que aquelas zonas não estavam incluídas no que tinha ficado decidido pelo TIJ. As autoridades cambojanas contestaram — e houve sempre uma tensão latente entre as duas partes da fronteira.

Em redor do templo de Preah Vihear, uma zona altamente vigiada pelos dois países, não é raro haver confrontos entre as Forças Armadas de ambos os Estados. A partir de 2008, a tensão foi crescendo, tendo escalado três anos depois. Tal como aconteceu esta quinta-feira, a Tailândia e o Camboja acusaram-se mutuamente de terem aberto fogo perto do local religioso.

Em 2011, os confrontos duraram sete dias até ser alcançado um cessar-fogo. Instado pelas duas partes, o Tribunal Internacional de Justiça voltou, em 2013, a pronunciar-se sobre o caso e voltou a dar razão ao Camboja, obrigando as tropas tailandesas a sair das redondezas do templo. Inicialmente, a Tailândia acatou a decisão judicial, mas nunca desistiu do seu desejo de controlar aquela região.

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▲ Soldado do Camboja vigia templo Preah Vihear

Getty Images

Este templo não é o único foco de tensão entre o Camboja e a Tailândia. Na fronteira entre os dois países, há vários assuntos por resolver, tendo como base o acordo entre o Reino de Sião e França de 1907. Em junho deste ano, o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, anunciou que ia voltar a recorrer ao Tribunal Internacional de Justiça para chegar a uma solução sobre quatro disputas fronteiriças.

“O Camboja só precisa de justiça, imparcialidade e clareza na demarcação e delimitação das fronteiras com os nossos países vizinhos, para que as nossas gerações futuras não continuem a ter problemas umas com as outras”, afirmava o primeiro-ministro cambojano. A Tailândia preferiu que o assunto fosse discutido bilateralmente, marcando uma reunião para o efeito para setembro deste ano, não sabendo se, tendo em conta a recente escalada, vai continuar a ter lugar.

Pode haver uma guerra entre os dois países?

Os dois países assumem que são rivais depois de décadas de disputas territoriais e de nacionalismo fervoroso. Neste momento, as relações diplomáticas estão em ponto de rutura resultante dos confrontos na fronteira. Podem estes dois rivais começar uma guerra total entre si?

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▲ Protesto de uma tailandesa na embaixada do Camboja em Banguecoque

SOPA Images/LightRocket via Gett

Em declarações à Al Jazeera, Phil Robertson, diretor da Organização dos Advogados pelos Direitos Humanos e do Trabalho da Ásia, com sede em Banguecoque, sublinhou que a situação “vai piorar antes de melhorar”. “Por agora, nenhum dos lados quer ser visto como estando a fazer concessões, por isso os combates deverão continuar provavelmente por algum tempo, principalmente sob a forma de disparos de artilharia e tiroteios através da fronteira em áreas disputadas.”

A mesma opinião tem Thitinan Pongsudhirak, professor de Ciência Política na Universidade de Chulalongkorn, em Banguecoque. A situação “vai piorar antes de melhorar”, o que quer dizer que, nos próximos dias, assistir-se-á a “mais confrontos, atrito e a uma maior escalada”. “Os dois lados estão muito tensos”, analisou o especialista, em declarações à CNN Internacional. 

Embora haja a perspetiva de a situação não melhorar para já, nenhum dos países tem interesse num conflito prolongado. Como recorda o correspondente da BBC no Sudeste Asiático, o Camboja atravessa uma conjuntura económica conturbada. Além disso, o país, que tem um regime de partido único, tem um novo primeiro-ministro, Hun Manet, que em 2023 foi nomeado para o cargo pelo pai, Hun Sen, que é agora presidente do Senado.

"Por agora, nenhum dos lados quer ser visto como a fazer concessões, por isso os combates deverão continuar provavelmente por algum tempo, principalmente sob a forma de disparos de artilharia e tiroteios através da fronteira em áreas disputadas."
Phil Robertson, diretor da Organização Advogados pelos Direitos Humanos e do Trabalho da Ásia

Como está no cargo há pouco tempo e está na sombra do pai (Hun Sen esteve 25 anos no cargo de primeiro-ministro), falta a Hun Manet experiência política e apoio popular. Deste modo, a população, como escreve o The Guardian, olha com muita desconfiança para o atual chefe do executivo, que não deverá ter capacidades para galvanizar a opinião pública a apoiar um conflito com a Tailândia.

A Tailândia atravessa uma crise política. O Tribunal Constitucional do país suspendeu, no início do mês, a ex-primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra até à conclusão de um processo judicial. O motivo? Veio público uma conversa telefónica entre a antiga líder do executivo e Hun Sen — o atual presidente do Senado do Camboja — em que os dois questionavam o papel de um alto comandante do exército tailandês.

Esta chamada telefónica, que serviu para diminuir as tensões entre países, caiu muito mal junto da opinião pública tailandesa, que a viu como uma espécie de traição — e como uma cedência da Tailândia face ao Camboja. Tendo em conta a recente mudança na liderança do país, faltará também a Banguecoque a estabilidade política necessária para avançar com um conflito de larga escala contra o país vizinho.

Tribunal Constitucional suspende primeira-ministra da Tailândia

China: como pode Pequim mediar o confronto?

Os países da região e organizações regionais como a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) mostram-se apreensivos com o sucedido e deverão tentar mediar uma solução diplomática entre a Tailândia e o Camboja. E há um país que tem ascendente suficiente para os pressionar a chegar a um acordo: a China. A diplomacia de Pequim já se mostrou “profundamente preocupada” com a escalada da tensão, enfatizando a importância de manterem “relações amigáveis”, tendo em conta os “interesses a longo prazo de ambos os lados”.

Ao The Guardian, Tita Sanglee, membro do think tank ISEAS–Yusof Ishak, destacou que a China mantém boas relações económicas quer com a Tailândia, quer com o Camboja. “A China é o único mediador externo credível porque tem ascendente sobre os dois países”, notou a especialista. Ainda assim, as autoridades tailandesas não confiam totalmente nas boas intenções chinesas, já que consideram que Pequim tende a favorecer os interesses cambojanos na região.

É seguro viajar para a Tailândia e para o Camboja?

São dois destinos turísticos e que atraem milhares de pessoas todos os anos. Apesar de os países estarem na época baixa e na estação húmida (em que chove praticamente todos os dias), ainda há muitos turistas que escolhem a Tailândia e o Camboja para passarem férias.

epa08850434 Tourists visit Angkor Wat temple in Siem Reap province, Cambodia, 29 November 2020. According to local ?media reports, Cambodian Government has granted NagaCorp a 50-year lease on land for a theme park project south of the Angkor Wat complex, which attracts about five million tourists each year.  EPA/MAK REMISSA

▲ Tailândia e Camboja são dois países que recebem milhares de turistas anualmente

MAK REMISSA/EPA

No site das Comunidades, pertencente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português, lê-se que, devido “ao recente confronto militar entre forças tailandesas e cambojanas”, a fronteira entre a Tailândia e o Camboja “encontra-se instável e potencialmente perigosa”. 

A diplomacia portuguesa dá conta de que “vários postos fronteiriços foram encerrados, com restrições de circulação em vigor”, sublinhando que as autoridades tailandesas “recomendam o adiamento de viagens não essenciais às zonas fronteiriças”. “Se estiver nas áreas fronteiriças, siga as orientações das autoridades tailandesas.” 

Adicionalmente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros aconselha a que os turistas na região se mantenham “vigilantes”, que sigam os “comunicados oficiais das autoridades e meios de comunicação locais”, evitando “divulgar informações sem confirmação”.

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