Quatro mil cento e oitenta cinco dólares (ou 3.567,88 euros). É este o valor do bilhete mais barato para se assistir à final do Campeonato do Mundo do próximo ano, que vai ter como palco o MetLife Stadium, em Nova Jérsia, nos EUA. Depois de tudo o que tem estado em torno desta edição do Mundial, em particular com a entrega do Prémio da Paz feita por Gianni Infantino, presidente da FIFA, a Donald Trump, seu homólogo norte-americano, a polémica do momento envolve os preços dos bilhetes, que são sete vezes mais caros do que aconteceu no Qatar, em 2022. Na altura, o bilhete mais barato para a final custava pouco mais de 500 euros (512,81). Por outro lado, a FIFA demarcou-se dos preços tabelados nos jogos da fase de grupos e optou por uma nova estratégia, baseada na popularidade das seleções.
Quer isto dizer que um adepto inglês pagará mais que um adepto escocês, ou que um adepto português terá de desembolsar mais do que um adepto norueguês, embora a organização ainda não tenha confirmado os critérios aplicados para definir os níveis de popularidade. Olhando ainda para a final de 19 de julho de 2026, os bilhetes encontram-se divididos por três categorias, como habitual nestas ocasiões, revela a BBC: nível de adepto (3.567,88 euros), nível padrão de adepto (4.737,34 euros) e nível premium (7.549,07 euros). Por outro lado, não há bilhetes a preços mais vantajosos para crianças ou outro grupos da sociedade. Olhando aos preços dos bilhetes disponibilizados através do site oficial da competição, um adepto inglês terá de desembolsar, no mínimo, 600 euros se quiser assistir aos três jogos dos três leões na fase de grupos, ante Croácia, Gana e Canadá. Por outro lado, um escocês gastará 563,27 euros para ver a sua equipa diante de Haiti, Marrocos e Brasil, embora os preços do Escócia-Brasil sejam os mesmos do Inglaterra-Croácia.
???????? This @FIFAcom #WorldCup is re-writing the meaning of the word expensive – but just how expensive is it for fans around the world?
????????️ Our analysis shows how many days supporters in selected countries must work to afford @FIFAWorldCup 2026 tickets – The gap is huge. https://t.co/WDgDUY2Swt pic.twitter.com/sOBisEGXPS
— Football Supporters Europe (@FansEurope) December 12, 2025
No Qatar, os bilhetes da fase de grupos fixaram-se nos 77,95 euros, 187,19 euros e 249,20 euros, sendo igualmente distribuídos por três categorias (com muitas “borlas” à mistura, sobretudo nos encontros com menor procura na fase inicial). No que concerne à fase decisiva do Mundial-2026, os bilhetes dos quartos de final variam entre os 576,93 e os 1.220,99 euros, ao passo que nas meias-finais vão dos 2069,88 aos 2688,90 euros, numa altura em que a distribuição passa a ser tabelada, não dependendo das seleções que estejam presentes. Em média, quem quiser assistir às oito partidas de todas as jornadas terá de gastar 5.945,63 euros em bilhetes da categoria mais baixa, sendo que o valor pode superar os 14 mil euros tratando-se do nível máximo. Em 2022, o valor global variava entre os 1.668,19 e os 4.453,82, embora o torneio tivesse uma ronda a menos em relação a 2026, que será a primeira edição com 48 seleções.
Em comunicado, a Football Supporters Europe (FSE), rede que visa defender os interesses dos adeptos de futebol, disse estar “surpreendida” com os preços “exorbitantes” desenvolvidos pela FIFA e pediu que a venda de bilhetes, que vai começar na segunda-feira, seja “imediatamente suspensa”, pedindo que a estratégia seja repensada. “Nas tabelas de preços divulgadas gradualmente e de forma confidencial pela FIFA, os bilhetes atribuídos às federações atingiram níveis astronómicos. Para piorar a situação, a categoria de preço mais baixo [categoria 4] não estará disponível para os adeptos mais devotos, uma vez que a FIFA optou por reservar o número escasso de bilhetes dessa categoria para a venda ao público em geral, sujeitos a preços dinâmicos”, acrescentou a FSE.
“Pela primeira vez na história do Campeonato do Mundo, não teremos um preço fixo em todos os jogos da fase de grupos. Em vez disso, a FIFA está a introduzir uma política de preços variáveis dependente de critérios vagos, como a perceção da atratividade do jogo. Os adeptos de diferentes seleções terão, portanto, de pagar preços diferentes pela mesma categoria na mesma fase do torneio, sem qualquer transparência na estrutura de preços imposta pela FIFA. É uma violação monumental do espírito do torneio”, concluiu a nota.
@FIFAcom's #WorldCup ticket prices are a betrayal to the most dedicated fans. At least $6900 to support your team from the first match to the final – nearly 5 times more than in Qatar.
FSE calls for the immediate halt to ticket sales.
???? Statement: https://t.co/AgEdqsfrox pic.twitter.com/2Yq5z5GIDZ
— Football Supporters Europe (@FansEurope) December 11, 2025
Olhando ao caso português, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) comunicou, esta quinta-feira, que os bilhetes dos jogos da Seleção Nacional cifram-se nos 225,83 euros (categoria 1), 426,09 euros (categoria 2) e 596,53 euros (categoria 3). Os bilhetes de categoria 4, que tradicionalmente são os mais acessíveis aos adeptos, não se encontram disponíveis para os adeptos através das federações, estando reservados à venda global da FIFA. O processo de compra via FPF começou durante a tarde de quinta-feira, tendo os interessados que preencher o formulário disponível no Portugal+ após validarem os seus dados pessoais. “O código de acesso exclusivo permite aos adeptos Portugal+ acederem à venda de bilhetes alocados pela FIFA para os adeptos da seleção nacional, sem passarem pela fase de sorteio aleatório da FIFA na venda ao público em geral”, realçou a FPF.
A Federação presidida por Pedro Proença frisou ainda que “a utilização” do código “não garante a aquisição de bilhetes”, já que o apuramento final só será avaliado no final da fase de compra, que vai acontecer em fevereiro, “caso a procura supere a oferta”. No total, cada adepto pode comprar quatro bilhetes por jogo, num máximo de 40 durante todo o torneio.