Num relatório de cinco páginas, o agente especial Bryce Ferrara da unidade de crimes violentos do FBI detalhou os movimentos de Cláudio Neves Valente nos últimos dias e explicou as razões para sustentar a acusação contra o português que permitiram quinta-feira emitir o mandado de captura, ligando o tiroteio que matou duas pessoas na Universidade Brown à morte a tiro do físico português Nuno Loureiro em Brookline, área metropolitana de Boston.
O relatório dos movimentos antes do ataque à Universidade Brown começa com o aluguer do quarto de hotel em Boston entre 26 a 30 de novembro deste ano por Neves Valente. O português, de 48 anos, residia em Miami e terá viajado para a capital do Massachussets, onde alugou um Nissan Sentra com matrícula da Flórida, a 1 de dezembro.
“Em algum momento, Neves Valente viajou de fora do Massachusetts para o Massachusetts“, concluiu o agente do FBI a cargo da investigação do caso.
“De seguida, Neves Valente viajou para Providence, Rhode Island, e acredita-se que tenha cometido um tiroteio em massa na Universidade Brown”, explicou agente. O já referido Nissan Sentra alugado foi visto várias vezes a cerca de um quilómetro da Universidade Brown entre o dia do aluguer e o passado dia 12 — um dia antes de o suspeito ter entrado numa sala de estudo com uma arma de calibre 9mm e uma mira com laser verde e matado Ella Cook e Mukhammad Aziz Imurzokov, ambos estudantes da instituição.
A primeira grande ligação na linha do tempo do FBI entre Cláudio Neves Valente e a morte de Nuno Loureiro surge quando o suspeito faz login na sua conta de Gmail na segunda-feira, 14 de setembro. O login na conta — a mesma que deu no aluguer do quarto de hotel — foi feito numa rede com um endereço IP com localização da zona da Universidade de Boston, a cerca de 500 metros da rua onde ficava a casa de Nuno Loureiro, morto com vários tiros às 20h30 na hora local (01h30 em Lisboa), na terça-feira, dia 15.
“No dia seguinte ao tiroteio, Neves Valente estava presente nas proximidades da residência da Vítima 1 [Nuno Loureiro], em Brookline, Massachusetts, no momento em que […] foi morta a tiros“, concluiu Bryce Ferrara. A arma usada neste tiroteio também tinha calibre 9mm. No entanto, segundo a análise balística do FBI, as balas usadas nos dois crimes não terão sido “disparadas da mesma arma”.
Nesse mesmo dia, explicam, um Nissan Sentra com a mesma cor do alugado pelo suspeito foi observado pelas câmaras de vigilância nas ruas de Boston, a cerca de um quilómetro da casa do físico português morto. Nas imagens, a viatura tinha uma matrícula aparentemente do estado vizinho de Maine. Mais tarde, as autoridades desse estado determinaram que se tratava de um “autocolante”, com um número inválido.
Quem é Cláudio Neves Valente, o suspeito do ataque a Brown e do assassinato do físico Nuno Loureiro
O facto de ambos terem andado no Instituto Superior Técnico também não passou despercebido à polícia federal norte-americana, que recorreu ao “adido jurídico do FBI em Lisboa” para descobrir que ambos “frequentaram o mesmo programa académico numa universidade em Portugal durante o mesmo período de cinco anos, entre 1995 e 2000”. Este facto foi considerado uma “ligação” entre o acusado e a vítima pelas autoridades.
“Com base no exposto, e na minha formação e experiência, acredito que Cláudio Neves Valente cometeu um tiroteio em massa em 13 de dezembro de 2025 e, na altura, possuía arma(s) de fogo e munições, tendo posteriormente viajado de Rhode Island para Massachusetts e utilizado uma arma de fogo e munições para cometer um homicídio em Brookline, Massachusetts, em 15 de dezembro de 2025″, concluiu o agente Bryce Ferrara.