O Conselho de Redação (CR) da RTP reagiu esta noite à entrevista em que o ministro da Educação acusa a estação televisiva de se comportar “no seu pior” e descontextualizar as suas declarações sobre a degradação de residências universitárias. O CR considera que a entrevista do governante “contém afirmações que colocam em causa, de forma grave e injustificada, o bom nome, o profissionalismo, a idoneidade e a ética da Redação”.
O comunicado do organismo surge na sequência da polémica sobre as declarações do ministro no âmbito da apresentação do novo modelo de ação social para o Ensino Superior. O governante disse que as residências universitárias devem incluir estudantes de vários estratos sociais e que atualmente são preenchidas apenas por “estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e por isso é que elas se degradam” — palavras que levaram a críticas e pedidos de demissão na oposição. A RTP transmitiu uma peça sobre o assunto, que levou Fernando Alexandre a falar de um “ataque cobarde e vil”.
O Conselho de Redação da RTP veio agora repudiar essas declarações na entrevista ao jornal Eco. “As referências a alegadas ‘agendas camufladas’ e a ‘incompetência’ não são meras críticas: são acusações que atingem diretamente a credibilidade da informação da RTP e os seus profissionais”, sublinha.
O Conselho de Redação diz que não se pode permitir “que estas suspeições passem sem resposta” e defendem que a “indignação” sentida “não deve ficar circunscrita à Direção”. “É uma questão que envolve toda a redação e a própria missão do serviço público”, afirma.
O CR deixa uma série de pedidos à direção de informação, nomeadamente que “tome uma posição pública firme, repudiando as insinuações e reafirmando a independência editorial, o rigor e a ética que norteiam” o trabalho dos profissionais da RTP. Apela também que esclareça os critérios editoriais que sustentaram a peça em causa e reforce o compromisso com o serviço público, “lembrando que a RTP não serve agendas, mas sim os cidadãos, com informação verificada, plural e responsável”.
O organismo diz ainda que o conselho de administração da RTP tem também “o dever de defender o bom nome da RTP e dos seus profissionais”. “Este é o momento de união e firmeza. A nossa história e a nossa missão exigem que respondamos com clareza e dignidade”, apontam.