A disputa para o lugar no topo do ranking dos fabricantes de baterias é acesa, mas isso não impede os chineses da CATL de liderarem as vendas mundiais com um à-vontade superior ao que seria de esperar. Mas, apostado em manter a vantagem, ou se possível incrementá-la, o fabricante chinês continua a apostar forte na procura por soluções para acumuladores mais baratos e mais seguros, prometendo lançar em 2026 as novas baterias de iões de sódio.
A controlar 38,1% do mercado, a CATL está confortavelmente à frente dos principais concorrentes, com a também chinesa BYD a ser quem mais se aproxima, com 16,9%. A sul-coreana LG Energy Solutions fecha o top 3, chamando a si 9,3% das vendas. As restantes posições dos cinco fabricantes que mais vendem pertencem aos chineses CALB e Gotion, com respectivamente 4,7% e 4,1% do mercado.
O movimento dos iões de sódio nas novas baterias da CATL
A 28 de Dezembro, durante uma conferência com fornecedores, a CATL confirmou à audiência que a bateria de iões de sódio (Na), em que trabalha há muito, estará pronta a passar à produção em série ainda em 2026, provavelmente no último trimestre. O fabricante deposita grandes esperanças nos acumuladores de iões de sódio como alternativa às LFP (fosfato de ferro-lítio), a solução preferida dos construtores chineses que, apesar de ter menos densidade energética do que a tecnologia NMC (níquel, manganês, cobalto), é mais barata e utiliza somente materiais existentes na China.
As baterias de iões de sódio são ainda mais baratas de fabricar, sobretudo porque recorrem ao sódio, um dos materiais mais abundantes no planeta, uma vez que representa 40% do sal (cloreto de sódio, ou NaCl). Além de serem baratas e de recorrerem a materiais existentes quase em todo o lado, estas baterias são ainda muito resistentes a incendiar-se em caso de acidente ou defeito de produção, sendo igualmente as mais eficientes em tempo frio.
Mas as baterias Na não têm apenas aspectos positivos, uma vez que a sua densidade energética não é brilhante. Mas a CATL, tal como os restantes fabricantes que estão a apostar nesta solução, acredita que consegue aproximar a sua densidade energética das LFP, que de início rondavam 90 Wh/kg e que agora os melhores exemplares já atingem 200 Wh/kg. Ainda longe dos 260 Wh/kg das NMC, mas já suficientemente próximo para se tornarem uma alternativa em veículos mais acessíveis. E isto é tão mais importante quando a CATL, apesar de chinesa, não se limitar a exportar para a Europa, possuindo já uma fábrica na Alemanha, outra em construção na Hungria e uma terceira em Espanha, em joint venture com a Stellantis.