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O candidato presidencial Cotrim Figueiredo considerou esta sexta-feira que os três decretos-lei sobre saúde devolvidos pelo Presidente da República ao Governo eram “remendos”, mas, nalguns casos, “remendos necessários e urgentes”.

“Sim, nesse sentido, são remendos, mas não significa que os remendos não sejam necessários”, afirmou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, no final de uma visita ao Centro Paroquial e Social do Salvador de Beja.

O ex-presidente da IL reagia à decisão do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de devolver ao Governo três decretos-lei aprovados em outubro sobre as novas regras da contratação de médicos tarefeiros, urgências regionais e sistema de gestão de listas de espera.

Em sua opinião, estes diplomas aparecem todos na sequência de problemas concretos e, portanto, parecem querer “apagar o fogo e ser um remendo” relativamente àquilo que continuam a ser os problemas muito profundos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Cotrim Figueiredo referiu que gostava que Marcelo Rebelo de Sousa tivesse justificado a devolução dos diplomas.

“Não sabemos exatamente o que é que está em causa. O que sabemos é que vamos ficar mais uns meses sem ter, pelo menos, aqueles remendos que, no caso do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), seriam urgentes e nos tarefeiros também já começa a haver casos de algum escândalo, nomeadamente quanto ao recurso a tarefeiros pagos a peso de ouro”, sublinhou.

Por isto, Cotrim Figueiredo assumiu que gostaria que “os tais remendos” aparecessem já.

Segundo o candidato a Belém, enquanto o SNS não tiver na sua essência o alinhamento dos interesses dos doentes com o interesse dos profissionais de saúde e das instituições que prestam cuidado de saúde os problemas vão continuar a aparecer porque os incentivos estão desalinhados.

“E, num sistema tão grande como o da saúde, quando os incentivos estão desalinhados do principal propósito, que é tratar as pessoas a tempo, os problemas vão continuar a aparecer”, insistiu.

Urgências centralizadas, sistema de acesso a cirurgias e “tarefeiros”. Marcelo devolve ao Governo decretos-lei de reformas na Saúde