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Ventura culpa Governo e ministra por morte de homem que esperou 3 horas por INEM

Este artigo tem mais de 6 meses

Ventura passou o dia a apontar essencialmente ao Governo devido à morte de homem que esperou horas pelo INEM e de bebé que nasceu num quartel de bombeiros. Marcelo também foi criticado.

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DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

André Ventura culpou a ministra da Saúde e o Governo pela morte de um homem no Seixal depois de estar quase 3 horas à espera do INEM e pelo nascimento de um bebé no quartel de bombeiros na Moita. Além de reforçar que a “ministra da Saúde já não devia estar em funções”, o candidato apoiado pelo Chega acusou o Presidente da República de ter desaparecido.

“De quem é a responsabilidade disto? É do Governo. E um Presidente da República que honra o salário que recebe, que honra a eleição que teve e a legitimidade, tem que chamar o Governo à atenção disto. E eu noto com preocupação que o nosso Presidente desapareceu em combate, verdadeiramente”, realçou, frisando que “alguém tem que chamar o Governo à atenção e alguém tem que chamar o Governo” nestas fases.

No mesmo sentido, Ventura também reforçou que “a ministra da Saúde já não devia estar em funções”, considerando um “grande erro” de Montenegro ter mantido a ministra da Saúde em funções.

Se fosse Presidente da República, afirmou, iria “chamar a ministra da Saúde e dizer[-lhe] que isto não pode continuar”. “Enquanto estiverem pessoas a morrer por falta de atendimento médico, a senhora é responsável por isso”, referiu.

“Esta responsabilidade desta morte é do Governo. E é da senhora ministra da Saúde, porque assim não parece que vivemos num país do primeiro mundo, parece que vivemos num país do terceiro mundo.”

E, usando um dos motes da campanha, desta vez associado à Saúde, deixou uma pergunta. “Isto é o Bangladesh? Vivemos num país qualquer aí do terceiro mundo, onde as pessoas nascem à beira da estrada?”, questionou, numa referência ao bebé nascido num quartel de bombeiros na Moita. “A Saúde voltou a falhar, tivemos uma vida perdida porque o socorro não chegou a tempo”, resumiu.

“Há aquela sensação em Portugal de que cedo ou tarde vai haver uma mudança. O poder político tem esta sensação: cedo ou tarde vai haver uma mudança. Cedo ou tarde eles — nós – vão chegar lá. (…) Sabem quando o Titanic está a afundar e eles têm que desfrutar da última festa que querem fazer porque sabem que está a acabar a bandalheira?”, afirmou André Ventura.

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

Ventura ambiciona primeira volta o “mais folgada possível”

André Ventura recuperou ainda o tema dos disparos com armas na noite de passagem de ano para garantir que Portugal está a ficar um “país descontrolado” que precisa de um Presidente “que tenha legitimidade e uma vitória folgada para dizer ao país como é que vai organizar”.

O candidato do Chega considerou que “se ganhar com 22% é uma coisa, se ganhar com 27, 28 ou 30% é mais fácil pôr ordem no país”, ambicionando uma primeira volta o “mais folgada possível”.

No comício, em Porto de Mós, antecipou uma “mudança patriótica, um povo que começa a acordar e que quer uma coisa diferente para o país”. E apelou ao voto, chamando quem quer “fazer alguma coisa” pelo país e jurando não dececionar. Neste seguimento, contou que um jovem do Luxemburgo lhe disse que só volta se vencer e recordou as palavras: “Não me dececione porque se nos dececionar vocês são a última esperança que nós temos.” O candidato concluiu que isto já não é só ser candidato, viu-o como uma “responsabilidade quase histórica“.

“Não é um dia [que vai acontecer], é agora, nós somos a transformação. Portugal está a acordar. Quero pedir que no dia 18 [de janeiro]  não se dê só um toquezinho para acordar, que se dê um abanão. E vai haver um tsunami tão grande que este país vai sentir que acordou todo.”

Quanto a outros adversários, ainda no rescaldo do debate com todos na RTP, Ventura criticou Seguro por “não ter uma ideia” e disse que Marques Mendes está “aparentemente em fase descendente”, crente que isso se deve a si próprio. “Se há candidato que desde o início disse que queria ser um candidato interventivo, que ia chamar o Governo à atenção, era eu. Marques Mendes optou por uma estratégia diferente, que foi colar-se ao Governo.”

Ainda sobre Gouveia e Melo e a notícia da revista Sábado — que dá conta de dezenas de adjudicações a empresas que tinham os mesmos sócios, como se fossem concorrentes, e que o candidato a Belém assinou oito dos contratos —, Ventura disse que é relevante “haver um esclarecimento porque está em causa o dinheiro público”. E, sem apontar ao almirante, reforçou: “Há uma série de áreas em Portugal onde temos tido manobras para sacar dinheiro ao Estado há muitos anos.”

Questionado sobre o debate, Ventura entendeu ainda que Marques Mendes ficou “muito desconfortável” com acusações de Gouveia e Melo no debate, considerando que foi a “pior prestação” do adversário porque “fica desconfortável quando está com muita gente à volta e muitos adversários”.

Ventura acreditou que Marcelo era uma “mudança”

No meio de dezenas e dezenas de selfies e beijinhos num território favorável como Samora Correia, André Ventura recordou que em 2016 houve um “movimento que esperou que Marcelo Rebelo de Sousa fosse essa mudança”. E comparou-se com o atual Presidente da República, prometendo não defraudar expectativas:

“Não foi [uma mudança com Marcelo], eu vou cumprir a esperança que estamos a dar às pessoas, e a esperança é um Presidente que decida, que ponha o país na ordem, que ponha fim à corrupção, que diga às pessoas que vai agir e não só falar, Marcelo Rebelo de Sousa disse que ia fazer e não fez. Eu espero fazer e essa é a diferença entre nós.”

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

Questionado sobre se foi uma das pessoas que achavam que Marcelo podia ser o rosto da mudança antes do primeiro mandato, em 2016, Ventura assumiu que sim: “Em 2016 achei que Marcelo Rebelo de Sousa podia ser diferente, em 2016, hoje acho que falhámos, acho que Marcelo Rebelo de Sousa não foi diferente, foi um Presidente do sistema e eu quero ser mesmo diferente.”

No comício da noite, em Porto de Mós, deu força à ideia: “Marcelo nem ele próprio sabia para onde ir, fazia análises, teorias, comentários abstratos. Em 10 anos de Marcelo o que é que melhorou? Eu posso tirar selfies, mas não vou ser o Presidente do dizer, vou ser o Presidente do fazer.”

Agora, dez anos depois, não quis concluir se apenas tem a semelhança das selfies com Marcelo, mas apontou alto: “Talvez os resultados venham a ser parecidos e eu também vença à primeira volta.”

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