A morte de Renee Good, a mulher norte-americana morta a tiro por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) na quarta-feira, está a desencadear protestos nos Estados Unidos da América. As manifestações não se concentram apenas em Minneapolis, onde ocorreu o incidente, e já se espalharam a outras cidades. Para este sábado, estão previstos protestos um pouco por todo o país.
Os protestos contra o assassinato de Renee Good e a violência policial que têm vindo a acontecer em cidades Houston, Cincinnati, Washington D.C. ou Filadélfia, detalha a BBC. Os manifestantes têm envergado cartazes pedindo a extinção do ICE ou a condenar o “racismo e fascismo”. Em Minneapolis, no estado do Minnesota, milhares de pessoas saíram às ruas na quarta e na quinta-feira, sob a vigilância de um forte dispositivo policial.
No local onde a Renee Good foi mortalmente baleada pelo ICE, formou-se entretanto um enorme memorial em homenagem à mulher de 37 anos — com centenas de pessoas a depositarem ramos de flores e velas, e até cartazes com a palavra “paz”.
BREAKING: Heavy police and state trooper presence in Minneapolis as noise protest continues outside the Canopy by Hilton where ICE agents are reported staying.
Protests press into the night, demanding Walz and Frey arrest ICE officer Jonathan Ross. pic.twitter.com/lONV4RaUeD
— BreakThrough News (@BTnewsroom) January 10, 2026
Para este sábado, estão previstos novos protestos, segundo avança a ABC. O Indivisible, um movimento social formado para resistir à administração Trump, anunciou que centenas de protestos estão programados nos estados do Texas, Kansas, Novo México, Ohio ou Flórida. Muitas das manifestações vão decorrer sob o lema “ICE Out for Good” [ICE fora para sempre].
À exceção de confrontos que ocorreram tanto na quinta como na sexta-feira entre pequenos grupos de manifestantes e a polícia federal, os protestos em Minneapolis têm decorrido de forma pacífica e sem violência — ao contrário do que sucedera em 2020, quando, na mesma cidade, se desencadearam violentos protestos na sequência da morte de George Floyd. Recorde-se que a administração Trump enviou, no início de janeiro, para Minneapolis (a maior cidade do estado do Minnesota, governado pelo Partido Democrata) mais de dois mil agentes do ICE e da Divisão de Investigações de Segurança Interna para combater a imigração ilegal tanto em Minneapolis como na cidade vizinha de St. Paul.
Sobre o caso da morte de Renee Good, recorde-se que o Departamento de Segurança Interno alegou que a mulher, mãe de três filhos, era uma manifestante violenta que confrontou os agentes durante uma operação. Segundo a responsável, Kristi Noem, a mulher “perseguiu e impediu” os agentes de trabalhar durante o dia e usou o carro como “arma” para os atropelar, tendo um agente “usado o treino recebido para salvar a sua própria vida e a dos colegas”. O Presidente norte-americano, Donald Trump, descreveu-a como uma “agitadora” e o vice-presidente, JD Vance, afirmou que se tratou de uma “tragédia” provocada pela própria Renee Good.
No entanto, há interpretações contraditórias sobre a atuação do ICE neste caso. As autoridades locais e do Minnesota acusam o serviço de imigração de provocar o “caos” e tornar as comunidades “menos seguras” e o presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey, classificou os relatos das autoridades federais como um “disparate”, descrevendo os tiros como “um agente a usar o poder de forma imprudente” e as explicações da Casa Branca como “propaganda”.
Entretanto, as autoridades do Minnesota já anunciaram a abertura de uma investigação criminal própria, à margem da investigação federal (dirigida pelo FBI) para apurar eventuais responsabilidades criminais do agente do ICE que matou Renne Good. Isto apesar de o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ter afirmado que o agente, cuja identidade é desconhecida, está “protegido por imunidade absoluta”, defendendo que os procuradores estaduais do Minnesota não têm jurisdição para acusar um agente federal (uma ideia contestada por especialistas ouvidos pela CNN).