A morte de Renee Good, a mulher norte-americana morta a tiro por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) na quarta-feira, está a desencadear protestos nos Estados Unidos da América. As manifestações não se concentram apenas em Minneapolis, onde ocorreu o incidente, e já se espalharam a outras cidades. Para este sábado, estão previstos protestos um pouco por todo o país.

Os protestos contra o assassinato de Renee Good e a violência policial que têm vindo a acontecer em cidades Houston, Cincinnati, Washington D.C. ou Filadélfia, detalha a BBC. Os manifestantes têm envergado cartazes pedindo a extinção do ICE ou a condenar o “racismo e fascismo”. Em Minneapolis, no estado do Minnesota, milhares de pessoas saíram às ruas na quarta e na quinta-feira, sob a vigilância de um forte dispositivo policial.

No local onde a Renee Good foi mortalmente baleada pelo ICE, formou-se entretanto um enorme memorial em homenagem à mulher de 37 anos — com centenas de pessoas a depositarem ramos de flores e velas, e até cartazes com a palavra “paz”.

Para este sábado, estão previstos novos protestos, segundo avança a ABC. O Indivisible, um movimento social formado para resistir à administração Trump, anunciou que centenas de protestos estão programados nos estados do Texas, Kansas, Novo México, Ohio ou Flórida. Muitas das manifestações vão decorrer sob o lema “ICE Out for Good” [ICE fora para sempre].

À exceção de confrontos que ocorreram tanto na quinta como na sexta-feira entre pequenos grupos de manifestantes e a polícia federal, os protestos em Minneapolis têm decorrido de forma pacífica e sem violência — ao contrário do que sucedera em 2020, quando, na mesma cidade, se desencadearam violentos protestos na sequência da morte de George Floyd. Recorde-se que a administração Trump enviou, no início de janeiro, para Minneapolis (a maior cidade do estado do Minnesota, governado pelo Partido Democrata) mais de dois mil agentes do ICE e da Divisão de Investigações de Segurança Interna para combater a imigração ilegal tanto em Minneapolis como na cidade vizinha de St. Paul.

Sobre o caso da morte de Renee Good, recorde-se que o Departamento de Segurança Interno alegou que a mulher, mãe de três filhos, era uma manifestante violenta que confrontou os agentes durante uma operação. Segundo a responsável, Kristi Noem, a mulher “perseguiu e impediu” os agentes de trabalhar durante o dia e usou o carro como “arma” para os atropelar, tendo um agente “usado o treino recebido para salvar a sua própria vida e a dos colegas”. O Presidente norte-americano, Donald Trump, descreveu-a como uma “agitadora” e o vice-presidente, JD Vance, afirmou que se tratou de uma “tragédia” provocada pela própria Renee Good.

Mãe de três filhos, “poeta” e recém chegada a Minneapolis. Norte-americana morta a tiro pelo ICE identificada como Renee Good

No entanto, há interpretações contraditórias sobre a atuação do ICE neste caso. As autoridades locais e do Minnesota acusam o serviço de imigração de provocar o “caos” e tornar as comunidades “menos seguras” e o presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey, classificou os relatos das autoridades federais como um “disparate”, descrevendo os tiros como “um agente a usar o poder de forma imprudente” e as explicações da Casa Branca como “propaganda”.

Entretanto, as autoridades do Minnesota já anunciaram a abertura de uma investigação criminal própria, à margem da investigação federal (dirigida pelo FBI) para apurar eventuais responsabilidades criminais do agente do ICE que matou Renne Good. Isto apesar de o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ter afirmado que o agente, cuja identidade é desconhecida, está “protegido por imunidade absoluta”, defendendo que os procuradores estaduais do Minnesota não têm jurisdição para acusar um agente federal (uma ideia contestada por especialistas ouvidos pela CNN).