No meio de uma reunião sobre o futuro do petróleo venezuelano, a atenção virou-se para o extremo-norte do planeta. Donald Trump voltou a falar das pretensões dos EUA sobre a Gronelândia e disse mesmo que iriam agir, seja de que forma for, para evitarem que a Rússia e a China se tornem “vizinhos” dos norte-americanos.

“Vamos fazer algo na Gronelândia, quer eles gostem ou não”, assegurou o Presidente dos EUA, após ter sido questionado pelos jornalistas sobre o assunto. Norte-americanos, dinamarqueses e gronelandeses têm uma reunião prevista para a semana passada, mas, mesmo assim, Trump decidiu endurecer o tom.

“Se não o fizermos, a Rússia ou a China vão tomar conta da Gronelândia. Se não o fizermos da maneira fácil, vamos fazê-lo da maneira difícil”, continuou.

Do lado das autoridades da Dinamarca e da Gronelândia e desde as primeiras afirmações da Administração Trump, a resposta tem sido clara: o território não está à venda.

Porém, os gronelandeses querem ter um papel maior. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, assumiu à emissora pública dinamarquesa DK que o território tem de “liderar” o processo de negociações com os EUA, que querem adquirir o território dinamarquês.

“Quando se trata da Gronelândia, é a Gronelândia que deve assumir a liderança e dialogar com os EUA”, disse a ministra, abrindo a porta a que a Dinamarca não esteja presente num eventual encontro com os norte-americanos ou outros países.

“O que é que tem de errado em fazermos reuniões apenas com os EUA? Presumo que nós [Dinamarca e Gronelândia] tenhamos alguns valores e políticas comuns que ambos os países defendem”, acrescentou Motzfeld, que pertence ao partido independentista Simiut.

“A Gronelândia tem trabalhado para se tornar um Estado, o que significa que teremos de conduzir a nossa própria política externa. Mas ainda não chegámos lá. Até lá, temos leis e estruturas que devemos seguir”, concluiu.