No meio de uma reunião sobre o futuro do petróleo venezuelano, a atenção virou-se para o extremo-norte do planeta. Donald Trump voltou a falar das pretensões dos EUA sobre a Gronelândia e disse mesmo que iriam agir, seja de que forma for, para evitarem que a Rússia e a China se tornem “vizinhos” dos norte-americanos.
“Vamos fazer algo na Gronelândia, quer eles gostem ou não”, assegurou o Presidente dos EUA, após ter sido questionado pelos jornalistas sobre o assunto. Norte-americanos, dinamarqueses e gronelandeses têm uma reunião prevista para a semana passada, mas, mesmo assim, Trump decidiu endurecer o tom.
“Se não o fizermos, a Rússia ou a China vão tomar conta da Gronelândia. Se não o fizermos da maneira fácil, vamos fazê-lo da maneira difícil”, continuou.
Trump on his Venezuela coup: "I was called by the leaders of numerous countries. I won't go into which ones, but the biggest and the strongest, and they said, 'That was very impressive.' They're all impressed." pic.twitter.com/yDy8biBPbA
— Aaron Rupar (@atrupar) January 9, 2026
Do lado das autoridades da Dinamarca e da Gronelândia e desde as primeiras afirmações da Administração Trump, a resposta tem sido clara: o território não está à venda.
Porém, os gronelandeses querem ter um papel maior. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, assumiu à emissora pública dinamarquesa DK que o território tem de “liderar” o processo de negociações com os EUA, que querem adquirir o território dinamarquês.
“Quando se trata da Gronelândia, é a Gronelândia que deve assumir a liderança e dialogar com os EUA”, disse a ministra, abrindo a porta a que a Dinamarca não esteja presente num eventual encontro com os norte-americanos ou outros países.
“O que é que tem de errado em fazermos reuniões apenas com os EUA? Presumo que nós [Dinamarca e Gronelândia] tenhamos alguns valores e políticas comuns que ambos os países defendem”, acrescentou Motzfeld, que pertence ao partido independentista Simiut.
“A Gronelândia tem trabalhado para se tornar um Estado, o que significa que teremos de conduzir a nossa própria política externa. Mas ainda não chegámos lá. Até lá, temos leis e estruturas que devemos seguir”, concluiu.