Depois de um arranque de campanha com bloquistas em segundo plano, o comício deste sábado na cantina do Instituto Superior Técnico reuniu todas os principais nomes do partido. Francisco Louçã, Mariana e Joana Mortágua, Fernando Rosas, Fabian Figueiredo ou Pedro Filipe Soares, entre outros mais. Também o novo coordenador nacional do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, esteve presente no almoço e subiu ao púlpito para destacar os “combates sem tréguas” da vida política Catarina Martins, que lembrou como testemunho da “firmeza e diálogo” da candidata presidencial.

Pureza começou a sua intervenção a avisar que “a brutalidade está a tomar conta da política” e, como consequência, o fascismo está a reaparecer, alimentando-se do “ressentimento e da promessa não cumprida”. O novo líder do Bloco propôs “contrapor essa brutalidade com esperança”, numa luta que não pode ser feita “em serviços mínimos“, defendeu. Depois, falou mais diretamente sobre presidenciais, assinalando que “há candidatos que não sabemos o que fariam no futuro” caso fossem eleitos e que “há outros que preferimos não saber o que fizeram no passado”. Concluindo: “O voto na Catarina é o mais seguro que existe”.

Outro dos discursos ouvidos na cantina do Técnico foi o de Isabel Moreira, que não esteve presente “por motivos intransponíveis”. No entanto, uma mensagem escrita pela socialista foi lida por uma outra apoiante de outro “caminho da esquerda” — como o descreveu Catarina Martins. A atriz Joana Manuel, ex-candidata independente pela CDU, deu voz ao discurso em que Isabel Moreira confessava que não lhe “sai da cabeça” o debate na RTP, porque foi a demonstração visual que há 10 candidatos presidenciais homens e apenas uma mulher. “Isto não tem de ser assim. Parem de pedir às mulheres para serem adiadas.”

Reconhecendo que não se tratam de eleições legislativas, a deputada do PS defendeu que, ainda assim, “é preciso tomar partido” — algo que não vê em Seguro, o candidato apoiado oficialmente pelo seu partido. Ao contrário deste, Catarina Marinsm “afirma-se de esquerda e não pede desculpa pelo seu percurso partidário”, assegurou. “É sabido o que nos separa, mas há muito mais que nos aproxima na afirmação dos valores de esquerda”, concluiu.

Catarina Martins agradeceu as palavras da socialista, lidas por Joana Manuel, e felicitou-se por estes “apoios que não pediu” mas que acontecerem porque as três “se cruzaram em lutas”. A candidata apoiada pelo BE procurou recentrar o debate destas presidenciais “nas questões de que as pessoas falam”, dando os exemplos de salários, pensões, contas da luz e do supermercado. “A questão não é sobre os ovos e os cestos. É sobre o preço dos ovos“, resumiu.

Para se distanciar dos ataques pessoais trocados entre os candidatos de direita, a candidata tem procurado pôr a tónica em mais transversais ao eleitorado. “Já pensaram o que seria esta campanha sem a esquerda? Selvajaria e lama.” Não deixou, porém, de criticar esses mesmos adversários pela falta de independência face ao Governo.

“Nestas eleições, a competição é um montenegrómetro. Cotrim manda uma carta: ‘vossa excelência pode contar comigo’. Marques Mendes manda o recado: ‘Luís, já sabes que eu sou do teu partido’. Gouveia e Melo faz-se fotografar ao lado de uma estátua do fundador do partido de Montenegro. Ventura garante que esse fundador, se fosse vivo, estaria a carregar uma bandeira do Chega.”

Seguro, que também tem sido reservado nas críticas ao Executivo, não escapa às críticas de Catarina Martins. A eurodeputada lembrou que o socialista defendeu esta campanha que “voltaria a fazer o mesmo acordo com Passos Coelho na troika, aquele contra o qual Mário Soares se levantou”. Procurando eleitorado do PS descontente com Seguro, as invocações de ex-Presidentes socialistas não ficam por aí: “Ontem, foi receber a bênção de Santana Lopes, o ex-primeiro-ministro que Jorge Sampaio demitiu.”