A Etiópia iniciou, sábado passado, a construção de um novo aeroporto em Bishofu, que poderá vir a receber cerca de 110 milhões de passageiros anualmente, tornando-se no maior aeroporto de todo o continente africano.

O projeto, cuja primeira fase deverá ser concluída em 2030, terá um custo aproximado de 12,5 mil milhões de euros. A companhia aérea nacional da Etiópia financiará 30% do valor total, enquanto o restante será coberto por credores internacionais.

“A Etiópia embarca novamente num megaprojeto congruente com uma nação de ambição e potencial”, disse o escritório do Primeiro-Ministro etíope, no X.

De acordo com Abiy Ahmed, o projeto vai servir a 60 milhões de passageiros nos primeiros anos, com previsão máxima após a sua conclusão de 110 milhões por ano, o que colocará a Etiópia “entre os hubs de aviação mais importantes do mundo”.

A cidade Bishofu, a 40 quilómetros da capital Adis Abeba, foi a escolhida para acolher o megaprojeto devido às suas características geográficas e geológicas, nomeadamente a sua altitude e a proximiade com Addis Ababa, a capital do país.

“Localizada a cerca de 40 quilómetros a sudeste de Adis Abeba, a uma altitude de 1.910 metros, Bishoftu oferece condições ideais para o desempenho das aeronaves e para o tratamento eficiente de passageiros de origem-destino e de trânsito.”, disse Ahmed Ali, no X.

Com quatro vezes a capacidade do aeroporto atual, Addis Ababa Bole International Airport, localizado na capital, a nova infraestrutura vai ter lugar para 270 aeronaves.

“Esta estratégia de múltiplos aeroportos tem como objetivo garantir o papel da Etiópia como principal porta de entrada aérea da África no futuro.” disse Ahmed Ali na sua conta oficial do X.

O projeto inclui ainda uma nova autoestrada e uma linha ferroviária de alta velocidade, conectando o aeroporto a Addis Abeba.

Etiópia: Um novo destino de turismo (e de negócios)?

Em 2025, a Etiópia registou o seu maior número de turistas estrangeiros de sempre, com mais de 1,3 milhões de visitantes internacionais, anunciou o primeiro-ministro em julho do ano passado, citado pela agência de noticias nacional.

O novo aeroporto vai colmatar as necessidades da infraestrutura atual, que está a chegar ao limite, e Ahmed Ali enumerou uma lista de credores interessados diversificada:

“Credores do Médio Oriente, Europa, China e EUA demonstraram grande interesse em financiar o projeto.”, disse Abraham.

A ser confirmado, o negócio comprova uma tendência crescente do investimento internacional no continente africano, nomeadamente por parte da China, que já é o maior parceiro comercial de África em vários países.

“África é um continente de oportunidades e uma terra promissora para investidores. O investimento chinês em África é benéfico para ambos os lados, responde às necessidades de desenvolvimento africanas e traz benefícios para os povos de ambos os continentes.” dizia Wang Wenbin, porta‑voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China durante uma conferência de imprensa em 2023.

Relativamente ao aeroporto, o Banco liderado pela China já prometeu 500 milhões de dólares para finaciar o megaprojeto.

Segundo uma declaração feita pelo CEO da empresa, Mesfin Tasew Bekele, em Rabat, Marrocos, à margem da edição de 2026 do Fórum de Investimento da África, anunciado pela CAPA, uma organização sediada na Austrália especializada no setor da aviação.

Com quatro vezes a capacidade do atual, o projeto do novo aeroporto incluirá também a construção de uma autoestrada de várias faixas ligando o novo aeroporto a Addis Ababa, assim como uma linha ferroviária de alta velocidade de 38 quilómetros, com velocidades operacionais entre 120 e 200 km/h.

A primeira fase da obra, prevista para ser concluído em 2030, espera ser um impulso para o país, beneficiando o setor turístico da Etiópia e do comércio, sem deixar de lado a “conectividade” entre os próprios países africanos, disse o principal representante do governo da Etiópia.

Texto editado por Dulce Neto