O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou esta sexta-feira os nomes que compõem o Conselho de Paz, do qual é o presidente, e que inclui nomes como Tony Blair, Steve Witkoff, Jared Kushner e Marco Rubio. A Casa Branca anunciou a criação de dois conselhos: um Conselho Executivo Fundador, igualmente composto por membros do Governo Trump; e um Conselho Executivo de Gaza, do qual fazem parte atores envolvidos nas negociações vindos de países como o Egipto, o Qatar ou os Emirados Árabes Unidos, que deve atuar na governança e prestação de serviços na região. Ambos devem funcionar em coordenação com o Comité para a Administração de Gaza, presidido por Ali Sha’ath, antigo vice-ministro palestiniano.
O Conselho Executivo fundador é composto por seis norte-americanos — sendo três membros da administração Trump — e um britânico. Inclui o secretário de Estado Marco Rubio, o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, o enviado especial norte-americano para a Faixa de Gaza e Ucrânia, Steve Witkoff, o genro do Presidente, Jared Kushner, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, o multimilionário e CEO da Apollo Global Management, Marc Rowan, e Robert Gabriel, conselheiro de segurança do Presidente norte-americano, e que trabalha com Trump desde 2016.
“Para operacionalizar a visão do Conselho de Paz – sob a presidência do Presidente Donald J. Trump – foi formado um Conselho Executivo fundador, composto por líderes com experiência em diplomacia, desenvolvimento, infraestruturas e estratégia económica”, referiu a Casa Branca em comunicado. “Cada membro do Conselho Executivo supervisionará uma área específica, crucial para a estabilização e o sucesso a longo prazo de Gaza, incluindo, entre outros, o reforço da capacidade de governação, as relações regionais, a reconstrução, a atração de investimento, o financiamento em grande escala e a mobilização de capital”, acrescentou a nota.
O Conselho de Paz conta ainda com dois conselheiros seniores, Aryeh Lightstone, CEO do Abraham Accords Peace Institute, e Josh Gruenbaum, investidor de capital privado e que foi nomeado comissário do Serviço Federal de Aquisições, que devem “liderar a estratégia e as operações diárias e traduzir o mandato e as prioridades diplomáticas do Conselho numa execução disciplinada.”
Entretanto, para além deste primeiro Conselho Executivo fundador, a administração Trump divulgou ainda um segundo comité de altos funcionários, chamado Conselho Executivo de Gaza, que “ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de excelência que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade para o povo de Gaza”. Deste conselho fazem parte Steve Witkoff, Jared Kushner, Tony Blair, Marc Rowan, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, o diplomata do Qatar Ali Al-Thawadi, o chefe do serviço secreto egípcio, Hassan Rashad, o ministro de Cooperação Internacional dos Emirados Árabes Unidos, Reem Al-Hashimy, o empresário israelita Yakir Gabay, o antigo coordenador humanitário da ONU, Sigrid Kaag e Nickolay Mladenov, político búlgaro e antigo enviado da ONU para o Médio Oriente, que também foi nomeado Alto Representante para Gaza, e servirá como elo no terreno entre o Conselho da Paz e o Comité Nacional de Administração de Gaza.
Outro nome anunciado pela Casa Branca é o do Major-General Jasper Jeffers, militar com anos de experiência e que teve um papel fundamental no cessar-fogo entre Israel e o Líbano, que foi nomeado Comandante da Força internacional de Estabilização, com o objetivo de “estabelecer a segurança, preservar a paz e criar um ambiente duradouro livre de terrorismo”.
Witkoff já tinha anunciado na quarta-feira que o plano norte-americano para o fim da guerra no território tinha entrado na segunda fase, centrada no desarmamento do movimento islamita palestiniano Hamas e inclui a formação do Conselho de Paz para Gaza, que irá supervisionar um comité palestiniano de tecnocratas, temporário e apolítico, por sua vez liderado por Ali Sha’ath, antigo vice-ministro palestiniano. Espera-se que a administração Trump divulgue os nomes que fazem parte do painel nos próximos dias.
O anúncio de Witkoff foi feito na sequência da declaração do Hamas na segunda-feira, altura em que o grupo sublinhou que está “totalmente preparado” para entregar o poder ao comité tecnocrático. A decisão, que o porta-voz Hazem Qasim definiu como “clara e definitiva” faz parte da “implementação do acordo de cessar-fogo” e “dá prioridade ao supremo interesse nacional“.