A administração Trump confirmou ter manipulado digitalmente a fotografia do momento em que uma advogada e ativista de direitos sociais estava a ser detida na quinta-feira, depois de ter participado num protesto contra a execução das políticas de imigração, que interrompeu um culto numa igreja do estado do Minnesota, noticiou a Forbes. Perante os pedidos de esclarecimento, a Casa Branca remeteu a resposta para um link de uma publicação de um porta-voz que dizia: “A aplicação da lei continuará. Os memes continuarão”.

A imagem publicada no X pela Casa Branca, às 10h54 (15h54. em Lisboa), mostra Nekima Levy Armstrong a chorar enquanto é escoltada por um homem de cara desfocada e continua online.

Meia horas antes, às 10h21 (15h21 em Lisboa), a fotografia original, publicada no X pela secretária da Segurança Interna, Kristi Noem Kristi Noem, mostra a advogada numa expressão neutra, com as mãos atrás das costas, seguida pelo mesma pessoa que aparece na imagem da Casa Branca.

“É simplesmente ultrajante que a Casa Branca invente histórias sobre alguém para tentar desacreditá-la”, disse o advogado de Levy Armstrong que fala numa “difamação ultrajante”.

Jordan Kushner, que afirmou ter estado presente na detenção da sua cliente, garantiu que quaisquer vídeos ou fotografias divulgados pelo governo que a mostrem a chorar são imagens manipuladas. “Ela estava completamente calma, serena e racional. Ninguém chorou”, referiu.

Citado pela AssociatedPress (AP), Kushner adiantou que existe um vídeo gravado pelo marido de Levy Armstrong que “desmente o que eles alegam” e que será em breve divulgado.

Segundo a AP, a análise das fotos sugere que não se trata apenas de fotografas tiradas em momentos diferentes: detalhes como o crachá da pessoa que acompanha Levy Armstrong e a posição das luzes junto à cortina mantêm-se iguais em ambos os registos.

Em reação às críticas, o vice-diretor de Comunicação da Casa Branca, Kaelan Dorr, escreveu no X: “MAIS UMA VEZ, para as pessoas que sentem a necessidade de defender reflexivamente os autores de crimes hediondos no nosso país, compartilho esta mensagem: a aplicação da lei continuará. Os memes continuarão.”

Nekima Levy Armstrong tem-se mostrado uma crítica persistente da atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), na sequência do homicídio de Renée Good e de casos de violência policial em cidades como Houston, Cincinnati, Washington D.C. e Filadélfia.

A ordem para parar, o carro a arrancar e as últimas palavras de Renee. O vídeo gravado pelo agente do ICE que matou uma condutora