Cerca de 160 milhões de norte-americanos, desde o Novo México até às Carolinas, estão a preparar-se para uma tempestade de gelo potencialmente catastrófica, que pode derrubar árvores e linhas de eletricidade, cortando energia durante dias, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia norte-americano, o NWS. Neve intensa e todos os tipos de precipitação de inverno, incluindo granizo, começarão a cair já esta sexta-feira na cordilheira Montanhas Rochosas e nas Grandes Planícies, avançarão para o Sul, Centro-Oeste e Montes Apalaches no sábado e chegarão à Costa Leste no domingo.

Pelo menos 14 estados norte-americanos já declararam estado de emergência. Até à tarde desta sexta-feira, os governadores dos estados de Alabama, Arkansas, Geórgia, Kansas, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Missouri, Nova York, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Tennessee, Texas e Virgínia alertaram para os perigos desta tempestade. Mais de 1.700 voos com destino, origem ou partida nos Estados Unidos, programados para sábado, foram cancelados devido à tempestade, sendo os dois aeroportos de Dallas os mais afetados, noticiou o New York Times.

São esperados 25 a 50 centímetros de neve em várias regiões que se estendem desde o sudoeste até a Nova Inglaterra. A neve, segundo os meteorologistas citados pelo Washington Post, será suficiente para tornar as viagens muito difíceis ou quase impossíveis em Washington DC, Filadélfia, Nova Iorque ou Boston.

A tempestade pode ser idêntica à chamada “tempestade do século” de março de 1993, conforme afirmou à ABC News Marshall Shepherd, diretor do Programa de Ciências Atmosféricas da Universidade de Geórgia e antigo presidente da Sociedade Americana de Meteorologia. Esta tempestade de inverno atingiu a costa do Golfo da Flórida com ventos de 145 quilómetros por hora e transformou-se numa tempestade de neve ao deslocar-se pela costa leste, afetando cerca de 22 estados e causando um prejuízo de dois mil milhões de dólares em danos materiais.

Os níveis de precipitação serão elevados no Texas e em outros estados ao longo da Costa do Golfo e continuam pela Geórgia e pelas Carolinas antes de se dirigirem para nordeste. “A quantidade de neve poderá atingir um pé ou mais nas principais cidades ao longo da [estrada] I-95, de Washington DC a Boston”, detalhou o serviço meteorológico.

Em Washington DC, “a combinação de neve intensa e gelo, juntamente com temperaturas muito frias durante um longo período, apresenta um risco único e significativo para a vida em praticamente toda a região”, pode ler-se no comunicado do serviço Washington/Baltimore.

Para agravar a situação, a tempestade trará consigo um frio recorde, com temperaturas gélidas a persistirem durante pelo menos uma semana, incluindo em zonas onde pode ocorrer formação severa de gelo. Na manhã de sexta-feira, a sensação térmica deverá atingir aproximadamente -48 graus Celsius no Centro-Oeste Superior dos Estados Unidos, o que poderá causar queimaduras pelo frio em apenas cinco minutos.

Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos já se pronunciou sobre esta forte tempestade, referindo, na Truth Social, que “uma vaga de frio recorde deverá atingir 40 estados”. “Raramente vimos algo assim antes. Será que os ambientalistas radicais poderiam explicar O QUE ACONTECEU AO AQUECIMENTO GLOBAL???”, lê-se na publicação.

A Cruz Vermelha Americana explicou, no seu site oficial, que “os invernos estão a ficar mais quentes e mais curtos devido à crise climática. Mas, como uma atmosfera mais quente retém mais humidade, é mais provável que ocorram nevões mais intensos”, alertando a população para se preparar para o frio e neve.

As tempestades de gelo caracterizam-se pela chamada “chuva congelante” (freezing rain, em inglês). A chuva cai na forma líquida e congela instantaneamente ao tocar em superfícies frias (como estradas, árvores ou cabos elétricos), criando uma camada de gelo transparente e perigosa.