Terça-feira voltou a ser dia de Sporting, daqueles em que o leão se eleva e é tão grande como os maiores da Europa. A meio da semana, na penúltima jornada da fase de liga da Liga dos Campeões, o leão voltou a surpreender a Europa do futebol e derrotou, no Estádio José Alvalade, o campeão europeu PSG, com um bis de Luis Suárez na ponta final (2-1). Desta forma, a equipa de Rui Borges garantiu o apuramento para a fase a eliminar da principal prova de clubes do velho continente e vai, nos próximos dias, a Bilbau lutar pela entrada no top 8, que dá acesso direto aos oitavos de final. Pelo meio, o Sporting contava com uma difícil deslocação a Arouca, que podia ser dificultada pelas condições atmosféricas, já que se perspetivava neve junto à Serra da Freita ao longo deste fim de semana.

É com heróis como ele que se fazem os clubes grandes, tão grandes como os maiores da Europa (a crónica do Sporting-PSG)

Com o regresso ao Campeonato Nacional, o Sporting tinha pela frente um jogo bastante diferente daquele que disputou frente aos franceses, já que contava com o favoritismo e a responsabilidade de não deixar fugir, ainda mais, o FC Porto. Assim, esperava-se uma versão mais dominante do leão, embora as condições do relvado pudessem dificultar a sua missão. Nos últimos dias, as boas notícias não se ficaram pela Champions, já que, depois de Zeno Debast, Ricardo Mangas e Daniel Bragança terem voltado às opções de Borges, Ousmane Diomande e Pedro Gonçalves regressaram à mesma condição. Para além disso, Souleymane Faye foi oficializado durante a semana, pelo que podia integrar desde já a convocatória do transmontano.

“A exigência será diferente e o adversário vai pedir outras coisas. É tentar mudar o chip para as dificuldades do jogo em Arouca, que não terá nada a ver com a Champions. Foram três pontos para outra competição, contra um grande adversário. O jogo com o Arouca vai ser diferente. O Campeonato é que é a nossa Liga dos Campeões. Exigência grande, mau tempo… vamos perceber o que o jogo vai pedir. Os campeões são assim, têm de ganhar independentemente das circunstâncias. Espero um jogo difícil. É um adversário com uma ideia muito vincada. O seu treinador é fiel a isso e bem, na minha opinião. É uma deslocação difícil, contra uma equipa que não sofreu golos nos últimos jogos. Isso dita o crescimento do Arouca ultimamente. Tem ido a um mercado mais específico e acredito que estarão numa melhor fase”, perspetivou Rui Borges.

Ficha de jogo

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Arouca-Sporting, 1-2

19.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio Municipal de Arouca

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)

Arouca: Ignacio de Arruabarrena; Tiago Esgaio, Matías Rocha (Amadou Danté, 69’), Javi Sánchez, Jose Fontán; Taichi Fukui, Espen van Ee (Mateo Flores, 69’); Alfonso Trezza, Lee Hyunju (Pablo Gozálbez, 76’), Naïs Djouahra; Barbero (Miguel Puche, 86’)

Suplentes não utilizados: João Valido; Diogo Monteiro, Yellu Santiago, Brian Mansilla e Romualdas Jansonas

Treinador: Vasco Seabra

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Gonçalo Inácio, Matheus Reis (Zeno Debast, 80’), Maxi Araújo; Morten Hjulmand, João Simões (Hidemasa Morita, 69’); Geny Catamo, Francisco Trincão (Pedro Gonçalves, 69’), Luís Guilherme (Alisson Santos, 80’); Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia; Giorgi Kochorashvili, Daniel Bragança, Ousmane Diomande e Ricardo Mangas

Treinador: Rui Borges

Golos: Suárez (35’ e 90+6’) e Barbero (48’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Simões (64’), Arruabarrena (76’), Djouahra (83’), Sánchez (88’), Suárez (90’), Hjulmand (90+7’) e Rui Silva (90+7’), vermelho para Matheus (90+7’) e Matías Rocha (90+9’)

Pela frente o bicampeão nacional tinha um Arouca que, na última semana, venceu em casa do lanterna-vermelha AVS (1-0), colocando fim a uma série de três jogos sem vencer, que se traduziu na conquista de oito pontos nas últimas cinco jornadas. Sem Pedro Santos e David Simão, que se despediu dos lobos arouquenses nos últimos dias, Vasco Seabra esperava surpreender o Sporting. “A expectativa é conseguir contrariar o poderio do Sporting e transformarmo-nos em protagonistas. Para isso teremos de competir e colocar a nossa melhor versão em prática para explorar as nossas fugas. Se perguntar ao Rui Borges, acho que ele também queria dominar o jogo frente ao PSG. Queria ter mais bola, pressionar mais à frente, pelo que essa é uma postura transversal ao que pretendemos fazer neste jogo. Nos jogos frente a estas equipas, se as coisas descambam um pouco, podem acontecer infortúnios como o da primeira volta [derrota por 6-0], mas estamos cientes que está tudo relacionado com aquilo que fazemos, logo não podemos jogar com medo”, abordou o treinador.

Com muito frio e chuva no Municipal de Arouca, Rui Borges fez duas mudanças face ao jogo com o PSG, com Morten Hjulmand e Luís Guilherme a regressarem ao onze do Sporting, por trocas com Hidemasa Morita e Ricardo Mangas. Desta forma, Maxi Araújo, que foi novidade em relação à última jornada do Campeonato, na qual cumpriu suspensão, à semelhança do dinamarquês, baixou para o lado esquerdo da defesa. Por outro lado, Vasco Seabra mexeu apenas no lado esquerdo da defesa, com Jose Fontán a saltar para o lugar que foi de Bas Kuipers na Vila das Aves. O neerlandês lesionou-se nesse jogo e não marcou presença no banco frente ao Sporting. Em sentido inverso, os reforços de inverno Ignacio de Arruabarrena e Javi Sánchez continuaram na equipa inicial do Arouca.

Como previsível, o campeão nacional assumiu o domínio deste o pontapé de saída, mas apenas com bola, já que as equipas tiveram muitas dificuldades em chegar à área adversária na fase inicial do encontro. Para lá da calma dos leões na construção com bola, o encaixe tático, com o Arouca a fechar a sua baliza com uma linha defensiva de cinco elementos, “condicionou” o jogo nesse sentido. Contudo, com o adiantar do relógio, o Sporting começou a evidenciar-se na monotonia do desafio e teve a primeira ocasião de perigo, com Gonçalo Inácio a isolar Luis Suárez com um grande passe, rasteiro, que rasgou a defesa caseira mas, depois de contornar Arruabarrena, o colombiano falhou o alvo (21′). Pouco depois, numa jogada pela esquerda, Francisco Trincão ganhou espaço junto à linha de fundo e cruzou para a pequena-área, para nova intervenção do uruguaio, que impediu que o cafetero desviasse para a sua baliza (25′).

Os lobos de Arouca assumiram uma postura cada vez mais defensiva e baixaram as linhas, criando dificuldades a um Sporting que pouco conseguiu explorar o espaço entrelinhas. Na reta final da primeira parte, os leões voltaram a desbloquear com um grande da defesa para o ataque, com Hjulmand a descobrir Maxi na meia-esquerda. O lateral contemporizou e tocou atrasado para Luis Suárez, que, depois de dominar, puxou para o pé direito e desferiu um remate forte e rasteiro que entrou junto ao poste esquerdo (35′). A partir daí, o Arouca mostrou uma ténue resposta, sem grande fulgor e com pouco critério. Assim, o resultado não sofreu mais alterações, após um primeiro tempo praticamente de sentido único (0-1).

Sem novidades ao intervalo, o recomeço trouxe um Arouca mais perigoso no ataque e a chegar à baliza de Rui Silva logo no primeiro minuto, mas o remate forte de Naïs Djouahra, depois de um corte defeituoso da defesa, saiu para as mãos de Rui Silva (46′). Pouco depois, Morten Hjulmand perdeu a bola e lançou Taichi Fukui no contra-ataque, o médio cruzou longo para o segundo, Jose Fontán ganhou nas alturas e colocou, de cabeça, na pequena-área, onde Barbero apareceu a dominar e a fuzilar a baliza leonina (48′). O Sporting continuou em dificuldades e, depois de nova perda de bola à entrada da área, agora de Luis Guilherme, o antigo avançado do Deportivo da Corunha rematou para as mãos de Silva (51′). No ataque seguinte, Djouahra isolou-se a meio-campo e cavalgou para a área, onde desferiu um remate cruzado para uma grande defesa do português, junto ao relvado (54′).

Com a chuva cada vez mais intensa e o relvado a começar a ressentir-se do estado do tempo, os leões voltaram a crescer e encostaram os lobos à sua área, mas continuaram sem criar perigo. Nesse sentido, Rui Borges mexeu na equipa pela primeira vez e lançou Hidemasa Morita e Pedro Gonçalves nos lugares de João Simões e Francisco Trincão, com Vasco Seabra a colocar Amadou Danté, Mateo Flores e Pablo Gozálbez, por trocas com Matías Rocha, Espen van Ee e Lee Hyunju. Seguiram-se as entradas de Zeno Debast e Alisson Santos para os lugares de Matheus Reis e Guilherme, mas foi o Arouca que voltou a criar perigo, com Javi Sánchez a corresponder a um canto, mas Rui Silva voltou a defender (82′). Na resposta, Pote cobrou um livre para o coração da área, com Hjulmand a desviar de cabeça para uma grande defesa de Ignacio de Arruabarrena (85′).

Já com Miguel Puche no lugar de Barbero, os arouquenses começaram a jogar com o relógio e a fazerem de tudo para segurarem o importante ponto, até que, na última jogada, Geny Catamo recebeu na direita, sem marcação, e cruzou de pé esquerdo para o poste mais distante, onde Luis Suárez apareceu a desviar com o ombro para o golo da vitória leonina (90+6′). A partir daí, Matheus Reis e Matías Rocha ainda foram expulsos nos bancos, mas o triunfo do Sporting estava assegurado (1-2).